Ekhbary
Tuesday, 03 March 2026
Breaking

Algarve Enfrenta Perdas de Até 40% na Produção de Laranjas Devido a Fenómenos Meteorológicos Extremos

Subida de preços antecipada à medida que os agricultores lid

Algarve Enfrenta Perdas de Até 40% na Produção de Laranjas Devido a Fenómenos Meteorológicos Extremos
7DAYES
2 weeks ago
9

Portugal - Agência de Notícias Ekhbary

Algarve Enfrenta Perdas de Até 40% na Produção de Laranjas Devido a Fenómenos Meteorológicos Extremos

A região do Algarve, celebrada pela sua produção de citrinos de alta qualidade, está atualmente a debater-se com perdas substanciais na produção de laranjas, com estimativas que variam entre 25% e uns impressionantes 40% do rendimento total. Esta situação grave é o resultado direto das condições meteorológicas severas e prolongadas que varreram Portugal recentemente. A AlgarOrange – Associação de Operadores de Citrinos do Algarve – emitiu um alerta severo sobre o impacto devastador do mau tempo, que não só danificou diretamente a fruta, mas também impôs desafios operacionais sem precedentes aos produtores e a toda a cadeia de abastecimento.

Após anos de seca persistente que já haviam testado seriamente a resiliência dos agricultores algarvios, a transição abrupta para chuvas intensas, acoplada a fenómenos extremos como ventos fortes, aguaceiros torrenciais e granizo, revelou-se um golpe esmagador para o setor citrícola. Embora as tão necessárias precipitações fossem cruciais para repor os níveis de água nas barragens, a intensidade e a natureza prolongada das inclemências do tempo infligiram danos extensos em campos e colheitas. Espera-se que estas consequências se repercutam na economia regional e potencialmente levem a um aumento dos preços ao consumidor.

A AlgarOrange, após conduzir uma consulta aprofundada junto dos produtores e operadores regionais, identificou perdas 'acentuadas'. A direção da associação sublinha que, 'de uma forma genérica, as perdas situam-se na ordem dos 25%, havendo variedades com prejuízos que podem ascender aos 40%'. Esta sombria perspetiva é atribuída ao prolongamento das condições meteorológicas adversas, caracterizadas por elevados teores de humidade que potenciaram o desenvolvimento de podridões e a queda prematura da fruta. Uma parte significativa da fruta, mesmo aquela que ainda permanece nas árvores, já se encontra podre, antecipando uma continuação do declínio da qualidade e da quantidade ao longo das próximas semanas, comprometendo ainda mais a colheita final.

Além dos danos diretos na fruta, muitos pomares foram atingidos por 'fenómenos extremos de vento, chuva e granizo', que causaram estragos estruturais às árvores e agravaram a situação geral. A associação reconhece que este cenário deverá inevitavelmente levar a 'alguma subida de preços junto da produção', um custo que poderá em última análise ser transferido para o consumidor final, num momento já desafiador para a economia mais ampla.

Os obstáculos enfrentados pelos produtores estendem-se para além das meras perdas de produção. Os custos associados à colheita sofreram um 'aumento substancial' devido às condições de trabalho 'verdadeiramente difíceis'. As equipas de colheita são compelidas a trabalhar sob frio intenso e chuva para tentar abastecer o mercado. Em muitos pomares, o solo saturado de água torna os tratores inutilizáveis, pois afundam na lama, obrigando à retirada dos frutos exclusivamente de forma manual. Este processo manual é significativamente mais lento, mais oneroso e fisicamente exaustivo. Uma tal situação não só inflaciona os custos operacionais como também atrasa a colheita, aumentando assim o risco de mais perdas.

Face a este panorama desafiador, a AlgarOrange lançou um apelo urgente aos produtores afetados para que formalizem as notificações de prejuízos. Estas devem ser dirigidas à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), com conhecimento para a FEDAGRI – Federação da Agricultura Algarvia. O objetivo é claro: 'Este é o procedimento a seguir para pressionar o Governo a abrir aviso de apoio', reforça a associação, sublinhando a necessidade crítica de medidas de auxílio rápidas e eficazes para mitigar o impacto económico sobre os citricultores.

A crise que assola o setor dos citrinos do Algarve insere-se num contexto mais amplo de perturbação climática que afetou Portugal. As depressões Kristin, Leonardo e Marta desencadearam uma série de devastações a nível nacional, resultando em dezasseis vítimas mortais, centenas de feridos e numerosos indivíduos deslocados. A décima sexta vítima, um homem de 72 anos, faleceu em fevereiro na sequência de uma queda em janeiro enquanto tentava reparar um telhado danificado no concelho de Pombal, ilustrando as graves consequências humanas e materiais das tempestades.

A destruição total ou parcial de habitações, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, bem como cortes de energia, água e comunicações, inundações e cheias repentinas, foram algumas das principais consequências materiais registadas. As regiões do Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais gravemente afetadas, mas o impacto estendeu-se por todo o território nacional, incluindo o Algarve.

Em resposta à calamidade, o Governo português prolongou a situação de calamidade para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio que pode ascender a 2,5 mil milhões de euros. A efetividade e a celeridade na distribuição desses apoios serão cruciais para a recuperação dos setores mais atingidos, incluindo a vital produção de citrinos no Algarve, que agora luta para superar mais um desafio imposto pelas alterações climáticas.

Palavras-chave: # produção laranjas Algarve # perdas citrinos # mau tempo Portugal # AlgarOrange # agricultura # economia regional # apoio governamental # cheias # prejuízos agrícolas # subida preços