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África: Os 99% Não Precisam de Fóruns de Bilionários. Precisam de Poder Democrático.

África: Os 99% Não Precisam de Fóruns de Bilionários. Precisam de Poder Democrático.
Ekhbary Editor
2 days ago
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África - Agência de Notícias Ekhbary

África: Os 99% Não Precisam de Fóruns de Bilionários. Precisam de Poder Democrático.

Nos corredores do poder global e nas salas de conferência de elite, as discussões sobre o futuro de África tendem a girar em torno de investimentos, parcerias estratégicas e o potencial económico do continente. Organizações como a Assembleia Geral das Nações Unidas, fóruns económicos mundiais e, mais recentemente, os encontros de bilionários focados em África, projetam uma imagem de progresso impulsionado por capital estrangeiro e por uma elite visionária. No entanto, uma análise crítica sugere que estas agendas, embora muitas vezes bem-intencionadas, correm o risco de ignorar a necessidade fundamental e mais urgente do continente: o fortalecimento do poder democrático e a soberania das suas populações.

A narrativa predominante muitas vezes retrata África como um continente em busca de salvação externa, um receptáculo para investimentos e filantropia. Os fóruns de bilionários, em particular, prometem trazer não apenas capital, mas também expertise e visão para resolver os desafios africanos. No entanto, questiona-se quem beneficia realmente destas iniciativas. Os vastos recursos naturais e o potencial humano de África são inegáveis. Contudo, a história tem demonstrado repetidamente que o desenvolvimento sustentável e equitativo não pode ser ditado de cima para baixo, nem ser exclusivamente moldado por interesses privados, cujos objetivos primários são frequentemente o lucro e a maximização do retorno sobre o investimento. A esmagadora maioria dos africanos – os 99% – não necessita de fóruns onde bilionários decidem o seu destino; necessita de ter voz ativa nas decisões que moldam as suas vidas, as suas comunidades e o seu futuro.

O continente africano é um mosaico de nações, cada uma com a sua história, cultura e desafios únicos. Desde a redução da pobreza e a melhoria da saúde e educação até à resposta às alterações climáticas e à garantia de paz e segurança, os problemas são complexos e multifacetados. As soluções, portanto, devem emergir das próprias sociedades africanas, alimentadas por processos democráticos robustos e inclusivos. O poder democrático não se resume a eleições regulares; abrange a responsabilização dos governantes, a participação cívica ativa, a liberdade de expressão e imprensa, e a garantia de que os recursos naturais e a riqueza gerada pelo país servem o bem comum, e não apenas uma elite.

A proliferação de fóruns de bilionários e iniciativas semelhantes levanta preocupações sobre a concentração de poder e influência. Quando as decisões cruciais sobre o desenvolvimento económico, a exploração de recursos e as prioridades de investimento são tomadas em salas fechadas por um pequeno grupo de indivíduos extremamente ricos, o risco de perpetuar desigualdades e ignorar as necessidades locais é imenso. Estes fóruns podem promover projetos que beneficiam os investidores a curto prazo, mas que podem ter impactos ambientais negativos, deslocar comunidades ou exacerbar as disparidades económicas existentes. A transparência e a prestação de contas são frequentemente secundárias nestes contextos, em contraste com o que seria esperado num processo verdadeiramente democrático.

Em vez de depender de benfeitores bilionários, África precisa de fortalecer as suas instituições democráticas. Isto significa apoiar a sociedade civil, promover a educação cívica, garantir a independência judicial e legislativa, e criar um ambiente onde os cidadãos possam participar ativamente na governação. Governos africanos devem ser responsivos às necessidades e aspirações dos seus cidadãos, e não apenas às exigências de investidores estrangeiros ou locais. A prioridade deve ser a criação de sistemas que garantam que os recursos de África sejam geridos de forma sustentável e equitativa, beneficiando toda a população.

O desenvolvimento sustentável em África requer um compromisso profundo com a democracia e a autodeterminação. As nações africanas devem ter a capacidade de definir as suas próprias trajetórias de desenvolvimento, com base nas suas prioridades e valores. Isto inclui a capacidade de negociar termos justos em acordos comerciais e de investimento, de regular as atividades empresariais para proteger o ambiente e os direitos dos trabalhadores, e de garantir que os impostos e receitas gerados sejam reinvestidos em serviços públicos essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.

A comunidade internacional tem um papel a desempenhar, mas este deve ser focado em apoiar os processos democráticos africanos, e não em impor agendas externas. O apoio deve vir na forma de capacitação institucional, partilha de conhecimento e tecnologia em termos justos, e no respeito pela soberania africana. A ajuda ao desenvolvimento deve ser direcionada para fortalecer as capacidades locais e promover a autossuficiência, em vez de criar dependência contínua.

A visão de uma África próspera e autossuficiente não será realizada através de fóruns onde uma elite global dita o caminho. Será construída pelas próprias pessoas de África, através do exercício do seu poder democrático. Os cidadãos africanos, organizados e mobilizados, são os verdadeiros agentes de mudança. Eles têm o direito e a capacidade de moldar o seu próprio futuro, exigindo governos responsáveis, sistemas económicos justos e uma sociedade onde todos tenham a oportunidade de prosperar. O foco deve, portanto, mudar drasticamente: menos fóruns de bilionários e mais investimento no poder democrático e na agência dos cidadãos africanos. Esta é a única via para um desenvolvimento verdadeiramente inclusivo e sustentável.