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Atleta ucraniano de skeleton é desclassificado dos Jogos de Inverno por capacete com homenagem a vítimas da guerra

Comitê Olímpico Internacional mantém política anti-política;

Atleta ucraniano de skeleton é desclassificado dos Jogos de Inverno por capacete com homenagem a vítimas da guerra
عبد الفتاح يوسف
2026-02-16 02:52
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Ucrânia - Agência de Notícias Ekhbary

Atleta ucraniano de skeleton é desclassificado dos Jogos de Inverno por capacete com homenagem a vítimas da guerra

Os Jogos Olímpicos de Inverno foram palco de uma controvérsia após a desclassificação do atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych. O esportista foi impedido de competir após manifestar a intenção de usar um capacete personalizado, adornado com imagens de cidadãos ucranianos que morreram no conflito em curso em seu país. O Comitê Olímpico Internacional (COI) invocou seu rigoroso regulamento que proíbe qualquer forma de expressão política nas instalações olímpicas, resultando na exclusão do atleta.

Heraskevych, que compete na desafiadora modalidade do skeleton – uma corrida onde os atletas descem uma pista de gelo de bruços em um pequeno trenó –, desejava que seu capacete servisse como um poderoso tributo. O design apresentava retratos de outros ucranianos, incluindo atletas, que perderam suas vidas durante a guerra. Sua intenção era aumentar a conscientização da comunidade internacional e honrar sua memória, transformando seu equipamento esportivo em uma tela de lembrança.

No entanto, a posição do COI permaneceu firme. Citando o Artigo 50 da Carta Olímpica, que proíbe "qualquer forma de manifestação ou propaganda política, religiosa ou racial", o comitê considerou o capacete inaceitável. Em comunicado oficial, o COI reiterou que "nenhuma declaração ou manifestação política é permitida nos Jogos Olímpicos". Esta política visa manter a neutralidade e a natureza apolítica dos Jogos, focando a atenção nas conquistas atléticas.

Heraskevych, sem se intimidar, recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) para apelar a decisão do COI. Argumentou que seu capacete era uma homenagem pessoal e não uma declaração política, mas sim um memorial para os caídos. O atleta também revelou ter recebido ameaças de indivíduos russos devido ao seu capacete, atribuindo essa situação às ações do COI. Apesar de seus argumentos, o TAS apoiou a decisão do COI, rejeitando seu apelo e confirmando sua exclusão dos Jogos.

A decisão provocou fortes críticas por parte das autoridades ucranianas. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, condenou as ações do COI, declarando: "O esporte não deve significar amnésia, e o movimento olímpico deve ajudar a acabar com as guerras, não a jogar o jogo dos agressores". Ele enfatizou que os Jogos devem ser uma plataforma para a paz e a solidariedade, e não uma ferramenta para silenciar expressões de luto ou memória. O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia também expressou seu descontentamento, classificando a proibição como um ato "inaceitável" que politiza o esporte contra a Ucrânia.

Em uma tentativa de encontrar um compromisso, o COI havia sugerido anteriormente a Heraskevych que usasse uma braçadeira preta como forma alternativa de homenagem. Relatos indicam que o atleta recusou esta proposta, considerando-a inadequada para transmitir sua mensagem. Após a recusa da proposta da braçadeira e a decisão do TAS, os juízes da Federação Internacional de Bobsled e Skeleton (IBSF) desclassificaram o atleta com base nos regulamentos que proíbem o uso de equipamentos não padronizados.

Kirsty Coventry, oficial do COI e ex-campeã olímpica de natação, defendeu a decisão do comitê, declarando seu apoio à liberdade de expressão, mas ressaltando a necessidade de aderir às diretrizes estabelecidas. Ela reiterou o objetivo do COI de preservar a neutralidade política dos Jogos Olímpicos. Heraskevych, por sua vez, afirmou não ter arrependimentos, acusando o COI de ter transformado os Jogos de Milão-Cortina em uma "máquina de propaganda russa" devido à sua desclassificação.

Este incidente destaca a tensão contínua entre o desejo dos atletas de expressar sentimentos pessoais e nacionais e o mandato dos órgãos dirigentes de manter uma rigorosa neutralidade política. Levanta questões críticas sobre onde a linha é traçada entre homenagem admissível e expressão política proibida, especialmente no contexto dos conflitos internacionais em andamento. O caso de Vladyslav Heraskevych serve como um poderoso lembrete da complexa interação entre esporte, política e direitos humanos no cenário mundial.

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