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Chile: José Antonio Kast assume a presidência, marcando uma guinada radical à direita desde Pinochet
Em um significativo desenvolvimento político, o advogado de extrema-direita José Antonio Kast prestou juramento oficialmente como o novo Presidente do Chile nesta quarta-feira, inaugurando o que é considerado o mais radical giro conservador que a nação sul-americana viu desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet. A solene cerimônia ocorreu no Congresso em Valparaíso, onde Kast, de 60 anos, declarou "Sim, eu juro", sucedendo ao presidente de esquerda Gabriel Boric, que ocupou o cargo nos últimos quatro anos.
Kast chega à presidência com a clara promessa de estabelecer um "governo de emergência" destinado a implementar políticas rigorosas de combate ao crime e controle estrito da imigração irregular, duas das preocupações mais urgentes para os cidadãos chilenos. Sua campanha capitalizou com sucesso a ansiedade pública generalizada sobre o aumento das taxas de criminalidade e a migração clandestina, posicionando-o como um líder forte capaz de restaurar a ordem.
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A cerimônia de posse, realizada em um Congresso com maioria de direita, viu Kast receber aplausos de seus aliados. O evento contou com a presença de vários líderes latino-americanos proeminentes, incluindo o presidente argentino Javier Milei. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que inicialmente havia confirmado sua presença, acabou desistindo.
Uma das primeiras ações oficiais de Kast como presidente foi a posse de seus 24 ministros. Notavelmente, dois desses ministros são advogados que anteriormente representaram figuras ligadas ao regime de Augusto Pinochet (1973-1990), um período responsável por mais de 3.200 mortes e desaparecimentos. Essa associação histórica atraiu atenção e gerou preocupações entre defensores dos direitos humanos.
Após os procedimentos oficiais, o presidente Kast percorreu as ruas no tradicional Ford Galaxie conversível preto, um presente ao Chile em 1968 da Rainha Elizabeth II, saudando seus apoiadores sob um sol radiante. Esse gesto simbólico acrescentou um toque de continuidade histórica aos eventos do dia.
A trajetória política do Chile parece se afastar do recente foco na reforma constitucional, um movimento que ganhou ímpeto após os amplos distúrbios sociais de 2019. Boric foi um importante apoiador desse processo de reforma, que finalmente fracassou após duas tentativas. Analistas políticos, como Rodrigo Arellano da Universidade do Desenvolvimento, sugerem que Kast representa um retorno à "direita conservadora que não se via desde o retorno à democracia" em 1990.
A ênfase de Kast na lei e na ordem ressoa com uma parte da população chilena que busca uma resposta mais firme à criminalidade. Embora o Chile geralmente permaneça um dos países mais seguros da região, com uma taxa de homicídios de 5,4 por 100.000 habitantes em 2025 (uma das mais baixas da América Latina), as preocupações com o crime organizado, incluindo a presença de gangues internacionais como o "Tren de Aragua", aumentaram significativamente.
Ao longo de sua campanha, Kast projetou uma imagem de urgência, por vezes proferindo discursos atrás de vidro à prova de balas e retratando o Chile como uma nação à beira do colapso devido ao narcotráfico. Ele obteve uma vitória decisiva nas eleições presidenciais de dezembro, derrotando a candidata de esquerda Jeannette Jara por uma margem considerável.
A posse contou com a presença de vários chefes de estado, incluindo Javier Milei (Argentina), Rodrigo Paz (Bolívia) e Daniel Noboa (Equador). Também estiveram presentes o subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, e a laureada venezuelana com o Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado. A ascensão de Kast alinha-se com a tendência mais ampla de governos de direita ganhando influência na região, frequentemente percebidos como apoiados pelos Estados Unidos.
Mara Sedini, a nova porta-voz do governo, informou à AFP que a principal missão da administração é "resolver as crises importantes e prioritárias para os chilenos", com foco na recuperação econômica e na "segurança migratória".
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O histórico pessoal de Kast também foi objeto de escrutínio. Investigações jornalísticas de 2021 revelaram que seu pai, um imigrante alemão, era membro do partido nazista de Adolf Hitler. Kast, no entanto, insiste que seu pai foi recrutado para o exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial e nega qualquer simpatia nazista de sua parte.
Na manhã do dia de sua posse, o presidente renunciou formalmente ao Partido Republicano, um gesto simbólico comum entre novos presidentes para sinalizar seu compromisso de governar de forma independente. A presidência de Kast marca um novo capítulo para o Chile, prometendo mudanças políticas significativas e enfrentando desafios consideráveis.