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Thursday, 19 February 2026
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Mourinho critica Vinícius: 'Celebra como Pelé'

O treinador português comenta a celebração da estrela do Rea

Mourinho critica Vinícius: 'Celebra como Pelé'
7DAYES
3 hours ago
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PORTUGAL - Agência de Notícias Ekhbary

Mourinho critica Vinícius: 'Celebra como Pelé'

O mundo do futebol viu-se novamente envolvido num debate contencioso após um confronto da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Benfica, onde um golo de Vinícius Júnior se tornou o ponto central de uma discussão que abrange a conduta dos jogadores, as alegações de abuso racial e os comentários do treinador. José Mourinho, o experiente treinador atualmente ao leme do Benfica, ofereceu uma crítica acérrima à celebração do golo do avançado brasileiro, exortando-o a adotar um estilo mais reverenciado, enquanto simultaneamente lidava com a sua própria dramática expulsão.

O incidente desenrolou-se aos 50 minutos no Estádio da Luz. Vinícius Júnior, mostrando o seu inegável talento, quebrou o impasse com um golo espetacular que colocou o Real Madrid em vantagem por 1-0. No entanto, a celebração que se seguiu rapidamente ofuscou o brilho do remate. O internacional brasileiro dançou junto à bandeirola de canto, um movimento que rapidamente escalou para um confronto acalorado com vários jogadores do Benfica, nomeadamente Gianluca Prestianni. Na troca de palavras que se seguiu, Vinícius acusou Prestianni de abuso racial, uma alegação que provocou uma paragem de 10 minutos no jogo, enquanto o árbitro iniciava o rigoroso protocolo anti-racismo da UEFA, antes que o jogo continuasse.

Mourinho, uma figura que nunca se esquivou à controvérsia, encontrou-se no centro da ação. Apesar de ter recebido ele próprio um cartão vermelho aos 85 minutos por razões que mais tarde esclareceria, falou com ambos os jogadores, Vinícius e Prestianni, em campo durante a interrupção. Refletindo sobre a complexa situação, Mourinho expressou uma posição matizada à Movistar: "Vinícius diz uma coisa, e Prestianni diz outra. Não quero dizer que apoio Prestianni a 100%, mas também não posso dizer que o que Vinícius me disse é a verdade. Não posso, não sei." Os seus comentários sublinharam a dificuldade de apurar a verdade em momentos tão carregados emocionalmente, especialmente quando surgem relatos contraditórios.

No entanto, o foco de Mourinho rapidamente mudou para a celebração em si, independentemente do alegado abuso. Ele elogiou a habilidade de Vinícius, afirmando: "Tudo o que sei é que até ao golo, foi um grande jogo. O Benfica começou muito bem, e o Real Madrid foi incrivelmente forte... Depois Vinícius marcou um golo que só ele ou [Kylian] Mbappé poderiam marcar." No entanto, rapidamente seguiu este elogio com uma crítica mordaz às teatralidades subsequentes. "Depois disso, ele deveria ter sido carregado aos ombros pelos seus companheiros, e não ter provocado 60.000 pessoas neste estádio. É tudo o que digo." Esta declaração sugere que Mourinho acredita que um jogador do calibre de Vinícius deveria deixar o seu futebol falar por si, evitando ações que pudessem incitar uma multidão hostil.

Este incidente adiciona mais um capítulo à lamentável história de Vinícius Júnior com o abuso racista no futebol. O jovem avançado tem sido um alvo frequente de cânticos e gestos discriminatórios de adeptos em estádios espanhóis nas últimas temporadas, o que levou a inúmeras investigações, processos e até condenações. Os comentários de Mourinho, embora aparentemente sobre a etiqueta da celebração, intersectam-se inevitavelmente com esta questão mais ampla e séria. Ele reconheceu implicitamente este padrão, perguntando: "Em quantos estádios isto aconteceu? Quantos? Ele é um jogador de outro mundo, adoro-o. Mas se marcas um golo assim... sais aos ombros dos teus companheiros. Foi aí que o jogo terminou." Esta perspetiva implica que o estilo de celebração de Vinícius poderá inadvertidamente alimentar um ambiente já tóxico, um ponto de vista que gera um considerável debate entre adeptos e especialistas sobre a culpa da vítima versus a responsabilidade do jogador.

Durante a sua conferência de imprensa pós-jogo, Mourinho elaborou ainda mais a sua filosofia. "Algo não está a funcionar", acrescentou. "Vinícius marcou um golo fantástico. Porque não celebrou como Eusébio, Pelé ou Di Stéfano?" Ao invocar estas figuras lendárias, Mourinho sublinhou um declínio percebido na tradicional desportivismo e humildade frequentemente associadas aos maiores ícones do futebol. As suas observações acendem uma discussão sobre se os jogadores, particularmente aqueles sujeitos a abusos, têm o direito de se expressar livremente, ou se têm a responsabilidade de desescalar as tensões e defender certos ideais desportivos.

Adicionando outra camada de drama à noite, o treinador do Benfica também abordou a sua própria expulsão. "Fui expulso por dizer algo muito óbvio", explicou Mourinho. Ele relatou uma interação com o árbitro, alegando uma clemência predeterminada em relação a certos jogadores do Real Madrid: "O árbitro tinha um pedaço de papel que dizia, '[Aurélien] Tchouaméni, [Álvaro] Carreras e [Dean] Huijsen não podem receber um cartão amarelo.' Ele não queria dar cartão a Carreras ou Tchouaméni. Eu disse ao árbitro, porque passei 1.400 jogos no banco, e ele sabia perfeitamente quem podia dar cartão e quem não podia. Sabemos como as coisas funcionam." Esta explicação aponta para a crença de longa data de Mourinho nas dinâmicas intrincadas, por vezes opacas, da arbitragem nos níveis mais altos do desporto, adicionando um toque característico a uma noite já repleta de eventos.

O jogo, portanto, transcendeu uma mera competição desportiva, evoluindo para um microcosmo dos desafios do futebol contemporâneo: a praga persistente do racismo, a linha ténue entre celebração apaixonada e provocação, e a tensão sempre presente entre jogadores, oficiais e treinadores. Enquanto a UEFA continua a sua investigação sobre as alegadas acusações de abuso racial, o debate em torno da conduta dos jogadores e da responsabilidade de todas as partes interessadas em promover um ambiente respeitoso, sem dúvida, persistirá.

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