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Sunday, 01 February 2026
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Guerra na Ucrânia: Diplomatas e Líderes Globais Navegam por Crise Complexa em Meio a Ataques Contínuos

Esforços de trégua energética, apelos por justiça internacio

Guerra na Ucrânia: Diplomatas e Líderes Globais Navegam por Crise Complexa em Meio a Ataques Contínuos
Ekhbary Editor
1 day ago
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Portugal - Agência de Notícias Ekhbary

Guerra na Ucrânia: Diplomatas e Líderes Globais Navegam por Crise Complexa em Meio a Ataques Contínuos

A guerra na Ucrânia permanece num ponto de inflexão crítico, caracterizado por uma complexa interação de manobras militares no terreno, intensa atividade diplomática e um crescente apelo à justiça internacional. Nos últimos dias, observou-se uma série de desenvolvimentos significativos que sublinham a natureza multifacetada do conflito, desde propostas de trégua energética até à escalada da retórica sobre segurança regional e a contínua crise humanitária.

No centro das atenções esteve a resposta do Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky a uma proposta do ex-Presidente dos EUA, Donald Trump, para uma suspensão de uma semana nos ataques russos. Embora Zelensky tenha expressado gratidão pela iniciativa, manteve um ceticismo notável, sublinhando que “não se trata de um verdadeiro acordo”. No entanto, ele indicou a prontidão da Ucrânia para corresponder a qualquer interrupção russa nos ataques às infraestruturas energéticas. Esta postura reflete a profunda desconfiança que prevalece entre Kiev e Moscovo, forjada por anos de conflito e inúmeras promessas não cumpridas. A questão da trégua energética assume particular importância face aos ataques sistemáticos da Rússia às infraestruturas críticas da Ucrânia, especialmente durante os meses de inverno, que visam quebrar a moral e a resiliência da população ucraniana. A experiência passada demonstrou que as tréguas muitas vezes são utilizadas pelas forças russas para reagrupar e rearmar, o que alimenta o ceticismo de Kiev.

Em contraste direto com as preocupações de Kiev, Moscovo continua a defender as suas ações e a criticar a postura ocidental. O diretor do departamento de Assuntos Europeus de Moscovo, Maslennikov, acusou a NATO de “introduzir elementos de conflito em regiões previamente pacíficas, como o Ártico”. Esta declaração reflete a narrativa russa de que a expansão da NATO e o aumento da sua presença militar perto das fronteiras russas são as principais causas da instabilidade regional. A região do Ártico, rica em recursos naturais e rotas marítimas estratégicas, tornou-se um novo ponto de tensão geopolítica, onde a Rússia tem investido fortemente na sua presença militar, enquanto os países ocidentais expressam preocupação com a militarização da região.

Paralelamente, o cenário diplomático viu a preparação para um encontro de alto nível. Kirill Dmitriev, enviado especial do Presidente russo Vladimir Putin, é esperado em Miami para conversações com representantes da administração do ex-Presidente dos EUA, Donald Trump. Este desenvolvimento, reportado por fontes russas à Reuters e citadas pela Tass, sugere potenciais canais de comunicação indiretos ou preparatórios, especialmente considerando a postura de Trump sobre o conflito ucraniano e a sua histórica relação com Putin. Tais encontros, mesmo que informais, são observados com atenção, pois podem sinalizar futuras direções na política externa dos EUA ou tentativas de desanuviamento.

O Presidente Zelensky, por seu lado, tem mantido uma agenda de comunicação intensa, abordando vários aspetos do conflito. Ele sugeriu que uma cimeira em Abu Dhabi poderia ser adiada devido aos desenvolvimentos no Irão, indicando a interconexão das crises globais. Além disso, reiterou a sua recusa em encontrar-se com Putin em Moscovo, desafiando o líder russo a vir a Kiev se tiver coragem, uma posição que sublinha a soberania ucraniana e a recusa em negociar sob coação. Zelensky também expressou a sua preocupação com o facto de as “duras exigências a Kiev não serem um compromisso” e de Moscovo ter “interrompido a troca de prisioneiros”, o que agrava as tensões humanitárias. A sua declaração de que a “trégua do gelo” é uma iniciativa dos EUA reforça a perceção de que Washington desempenha um papel fundamental na mediação e nas propostas de cessar-fogo.

A situação humanitária na Ucrânia continua a ser alarmante. Milhares de pessoas em Kiev enfrentam temperaturas gélidas, com previsões de até -30°C, agravando a crise energética causada pelos ataques russos. Esta realidade sombria destaca a urgência do apoio internacional e a resiliência da população ucraniana. Em resposta a esta crise, a Estónia anunciou um novo pacote de ajuda humanitária no valor de 400.000 euros. Os fundos serão direcionados para a construção de centros móveis de aquecimento em bairros residenciais de Kiev, para apoiar centros de evacuação com geradores e reservas de combustível, e para adquirir equipamentos para pontos de emergência de inverno para a proteção civil ucraniana. O ministro dos Negócios Estrangeiros estónio, Margus Tsahkna, condenou o uso do frio e da escuridão como arma por Putin, apelando a outros países europeus para que apoiem Kiev com igual convicção.

No campo da justiça internacional, a Lituânia tomou uma posição firme. O ministro dos Negócios Estrangeiros lituano, Kestutis Budrys, enviou uma carta ao Tribunal Penal Internacional (TPI) solicitando a emissão de mandados de prisão para os funcionários russos responsáveis pelos “repetidos e massivos ataques” contra as infraestruturas civis e energéticas ucranianas. Budrys argumentou que estes ataques sistemáticos, claramente destinados a privar a população ucraniana de eletricidade, aquecimento e água no auge do inverno, constituem uma “vontade deliberada de destruir fisicamente os ucranianos”. Esta iniciativa lituana reflete a crescente pressão internacional para responsabilizar os perpetradores de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Numa frente diferente, o Presidente russo Vladimir Putin projetou um “aumento considerável” nas exportações militares até 2026. Esta declaração, feita durante uma reunião da comissão para a cooperação técnico-militar, enquadra-se num novo projeto federal para o desenvolvimento da cooperação técnico-militar da Rússia com estados estrangeiros no período de 2026-2028. A ênfase nas exportações de armas demonstra a contínua aposta da Rússia no seu complexo industrial-militar como pilar da sua economia e influência geopolítica, apesar das sanções ocidentais.

Os relatos de ataques continuam a ser uma constante. Zelensky informou que, exceto por um ataque isolado à infraestrutura de gás na região de Donetsk com bombas aéreas, quase não houve ataques às infraestruturas energéticas na sexta-feira. No entanto, ele notou uma mudança na estratégia russa, que agora visa “estações logísticas e de intercâmbio”, citando o ataque a um vagão ferroviário especial de geração de energia da Ukrzaliznytsia na região de Dnipro. O Presidente ucraniano também reforçou a defesa aérea anti-drones de curto alcance, especialmente em cidades como Kherson e Nikopol, e nas comunidades fronteiriças da região de Sumy, onde os russos teriam estabelecido um “safari contínuo” contra civis, usando drones para atacar edifícios residenciais e transportes civis. Adicionalmente, três pessoas ficaram feridas num ataque de drones russos perto de Zaporizhzhia, que danificou uma farmácia e dois veículos civis, e causou limitações no tráfego ferroviário.

A segurança nuclear continua a ser uma preocupação premente. O ministro da Energia ucraniano, Denys Shmyhal, solicitou a suspensão da adesão da Rússia ao Conselho de Governadores da AIEA e propôs alterações ao estatuto da agência. Shmyhal argumentou que a Rússia, ao visar sistematicamente as subestações elétricas que fornecem energia externa às centrais nucleares ucranianas, “mina um dos sete pilares da segurança nuclear da AIEA”. Ele destacou que a central nuclear de Zaporizhzhia, ocupada temporariamente, perdeu completamente o fornecimento de energia externa 12 vezes durante a guerra. A AIEA realizou uma sessão especial sobre os riscos para a segurança nuclear, a pedido dos Países Baixos e de outros 11 países. O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que os danos às subestações elétricas “comprometem a segurança nuclear e devem ser evitados”, confirmando uma missão de especialistas em curso. A questão da segurança nuclear é amplamente reconhecida como uma ameaça global, e a persistência dos ataques russos perto de instalações nucleares levanta sérias preocupações sobre um possível desastre.

No leste, as autoridades ucranianas ordenaram a evacuação obrigatória de famílias com crianças de sete aldeias na região de Kharkiv (Bereznyky, Vyshneve, Hontarivka, Metalivka, Radkove, Zarichne e Shyroke, na hromada de Staryi Saltiv), um sinal do avanço das forças russas na área. O governador regional, Oleh Syniehubov, descreveu a situação como uma “questão de vida ou morte” e garantiu que rotas de evacuação e alojamentos temporários foram preparados, bem como assistência para o estatuto de deslocados internos e apoio humanitário. Esta medida reflete a gravidade da situação no terreno e o impacto direto do conflito nas populações civis.

Em meio a todos esses desenvolvimentos, Donald Trump, ex-Presidente dos EUA, ofereceu uma perspetiva sobre as negociações de paz, afirmando ter “resolvido oito guerras” e que, embora Putin e Zelensky “se odeiem”, ele acredita que “estamos muito perto de chegar a um acordo”. Esta declaração, embora otimista, contrasta com a complexidade e a profundidade dos antagonismos que impulsionam o conflito. O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, também comentou sobre a possível adesão da Ucrânia à UE, afirmando que “falaremos sobre isso, mas primeiro é importante a paz”, o que realça a prioridade da estabilização do conflito antes de avançar com passos de integração de longo prazo.

A guerra na Ucrânia, portanto, não é apenas um conflito militar, mas uma teia complexa de desafios humanitários, diplomáticos, jurídicos e geopolíticos. A cada dia, as ações no terreno e as declarações nos corredores do poder global moldam o futuro não só da Ucrânia, mas também da ordem internacional.