Região Palestina - Agência de Notícias Ekhbary
"Não há mais segurança": Palestinos alertam para escalada da violência de colonos na Cisjordânia
Na Cisjordânia ocupada, um grito desesperado ecoa das comunidades palestinas: "Não há mais segurança." A região tem sido palco de uma intensificação brutal da violência de colonos israelenses, transformando lares em ruínas e vidas em um constante estado de terror. O recente ataque à vila de Deir al-Hatab, perto de Nablus, é um testemunho pungente dessa realidade, onde Barhan Omar, um gerente de banco palestino, descreve com lágrimas nos olhos o horror vivido por sua família.
"Este ataque não foi apenas para queimar as casas, mas também para matar – para matar mulheres e crianças," relata Omar, em meio aos escombros carbonizados de sua grande vila. Ele e seus filhos só escaparam ao se esconderem no telhado de sua casa, que foi invadida por colonos israelenses no domingo, com tiros e incêndios. "Eles vieram em grande número. Isso foi terrorismo organizado," ele insiste. "O que é aterrorizante é você estar sentado em sua casa com seus filhos, e de repente ser alvo de tiros."
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O incidente em Deir al-Hatab, uma vila que nunca havia sofrido um ataque tão significativo, faz parte de uma nova onda de violência que varre a Cisjordânia nos últimos dias. Pelo menos 10 pessoas ficaram feridas durante o tumulto, a maioria por pedras, com um homem atingido no pé por um tiro. Esta escalada segue-se ao funeral de Yehuda Sherman, um jovem israelense de 18 anos, morto quando seu veículo todo-o-terreno foi supostamente atingido por um palestino. Colonos consideram o incidente um ataque, enquanto palestinos afirmam ter sido um acidente.
A tensão na Cisjordânia atingiu níveis críticos, especialmente desde o início de novos conflitos regionais que desviaram a atenção global. Segundo a ONU, seis palestinos foram mortos por colonos desde então. Há duas semanas, em Khirbet Humsa, no Vale do Jordão, moradores acusaram colonos de agressão sexual e espancamentos. Sete prisões foram feitas pela polícia israelense em resposta.
Este padrão de violência e expansão de assentamentos não é novo, mas foi drasticamente acelerado durante a guerra de Gaza, desencadeada em outubro de 2023. O ano passado registrou a maior expansão de assentamentos e aprovações de planejamento desde o início do monitoramento da ONU. Todos os assentamentos são considerados ilegais sob o direito internacional, e postos avançados são estabelecidos sem a aprovação do governo israelense.
Yair Dvir, porta-voz do grupo israelense de direitos humanos B'Tselem, observa que "os colonos viram os últimos três anos como uma oportunidade, alguns dizem que este é o tempo de 'um milagre'." Ele acrescenta, "O que estamos vendo agora no terreno é uma continuação da campanha de limpeza étnica por Israel." Israel rejeita veementemente essas alegações, mas o escritório de direitos humanos da ONU expressou preocupação sobre "transferências forçadas, que parecem visar um deslocamento permanente, levantando preocupações sobre limpeza étnica".
Historicamente, a violência de colonos focou na Área C da Cisjordânia, sob controle total israelense após os Acordos de Oslo de 1993. Entre janeiro de 2023 e meados de fevereiro de 2026, pelo menos 4.765 palestinos de 97 localidades foram deslocados devido à violência de colonos, segundo o escritório humanitário da ONU. A maioria era de comunidades beduínas e pastoris na Área C.
Atualmente, a violência de colonos está se deslocando para vilas palestinas povoadas, como Deir al-Hatab, na Área B, onde Israel mantém controle de segurança, mas a Autoridade Palestina possui poderes civis. Allegra Pacheco, chefe de missão do Consórcio de Proteção da Cisjordânia, alerta que "nas áreas onde as comunidades palestinas foram esvaziadas na Área C, o próximo passo está acontecendo: os colonos estão indo para o oeste, em direção às áreas B, para continuar a agenda de esvaziar esta terra." Ela enfatiza que "Esta é uma política intencional [...] O objetivo é esvaziar essas áreas, para permitir que Israel as anexe, expanda os assentamentos e as esvazie de palestinos."
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O Ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, um colono de extrema-direita, é um impulsionador fundamental da política de assentamentos, tendo sido sancionado pelo Reino Unido por incitar a violência. Smotrich declarou seu plano de "enterrar a ideia de um estado palestino" e tomou medidas sem precedentes para reforçar o domínio de Israel, declarando vastas áreas como "terra estatal" e alegando ter aprovado ou autorizado retroativamente 69 novos assentamentos. No funeral de Yehuda Sherman, Smotrich referiu-se à "desgraça de Oslo" e pediu a derrubada da Autoridade Palestina, prometendo: "Assentaremos toda a nossa terra em todas as suas partes."
Embora o chefe do Estado-Maior de Israel, Tenente-General Eyal Zamir, tenha condenado veementemente a violência dos colonos na semana passada, classificando-a como "moral e eticamente inaceitável" e um perigo para a segurança, as Forças de Defesa de Israel (IDF) têm sido criticadas por supostamente participarem, ignorarem a violência ou falharem em processar os responsáveis. Moradores de Deir al-Hatab reclamaram que soldados em uma torre de vigia próxima fizeram vista grossa e atrasaram a chegada de ajuda. Samer Omar, olhando para o telhado de sua casa queimada, expressa o medo constante de que a violência se repita, sublinhando a urgência de atenção internacional.