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Atos Globais Marcam Dia Internacional da Mulher com Clamor por Igualdade e Fim da Violência
Milhares de vozes ecoaram em uníssono neste domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, em uma série de manifestações que tomaram as ruas de grandes cidades na Europa e na América Latina. As mobilizações, impulsionadas por uma diversidade de organizações e movimentos sociais, reafirmaram o compromisso global com a igualdade de gênero, o combate intransigente à violência contra a mulher e a defesa de direitos fundamentais que, em muitas regiões, parecem estar sob crescente ameaça.
Na França, Paris foi palco de um dos atos mais significativos, onde a presença de Gisèle Pelicot ressoou profundamente. Pelicot, que se tornou um símbolo internacional da luta contra a violência de gênero, recusou o direito ao anonimato durante o julgamento que condenou seu ex-marido e mais de 50 homens por uma década de estupros e agressões, ocorridas entre 2011 e 2020. Sua declaração "Não renunciaremos a nada!" encapsulou o espírito de resistência. Os protestos franceses, que mobilizaram mais de 100 organizações em cerca de 150 localidades como Bordeaux, Lille e Marselha, também focaram na defesa dos direitos das mulheres, que, segundo os organizadores, enfrentam a ameaça do avanço de pautas conservadoras.
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A Espanha também testemunhou uma forte mobilização, embora com nuances. No centro de Madri, o movimento feminista se dividiu em duas marchas principais, evidenciando divergências internas sobre questões como os direitos das pessoas trans e a regulamentação da prostituição. Apesar das divisões, um ponto comum foi a condenação da guerra no Irã, com a ministra do Trabalho e segunda vice-presidente da Espanha, Yolanda Díaz, defendendo a população iraniana em seu discurso. "Está em nossas mãos parar a guerra, parar a barbárie e conquistar direitos. Nós nos declaramos em defesa da paz, do povo iraniano e das mulheres iranianas", afirmou Díaz, sublinhando a interconexão entre as lutas feministas e os conflitos geopolíticos. Outras cidades espanholas como Barcelona, Valência, Sevilha, Granada, Bilbao, San Sebastián e Santiago de Compostela também registraram manifestações, com algumas, como Santiago, solicitando a participação exclusiva de mulheres.
Na América Latina, as mobilizações ganharam contornos específicos, refletindo as realidades políticas e sociais de cada país. Na Venezuela, o foco dos protestos se voltou para a situação das prisioneiras políticas que não foram beneficiadas por anistias, muitas delas enfrentando sérias complicações de saúde. A ONG Foro Penal denunciou que aproximadamente 526 pessoas, incluindo 56 mulheres, permanecem privadas de liberdade por razões políticas, um número alarmante que destaca a repressão e a necessidade de atenção internacional. A ativista mexicana Alexa Rubio, residente em Madri, ressaltou a urgência de debater a igualdade salarial e o combate ao assédio e à violência de gênero. "Estão matando mulheres por serem mulheres", disse ela à agência de notícias AFP, uma declaração que ecoa em todo o continente. Andrea Ricart, também mexicana, lamentou a percepção de indiferença generalizada: "Alguém tem que ser morta para que as pessoas se sensibilizem com esses temas," expressando a frustração com a lentidão das mudanças.
Em El Salvador, organizações de mulheres e o Movimento de Vítimas do Regime se uniram para exigir a libertação da advogada Ruth López. Crítica ferrenha do governo do presidente Nayib Bukele, López é considerada uma presa política pela Anistia Internacional. Ela, que chefiava a unidade anticorrupção da ONG de defesa de direitos humanos Cristosal, foi detida em 18 de maio sob acusação de enriquecimento ilícito pelo Ministério Público salvadorenho, em um caso que levanta sérias preocupações sobre a criminalização da dissidência. "Estamos levantando nossa voz para exigir mais uma vez a liberdade imediata de nossa querida companheira, defensora, como é Ruth López", declarou a ativista Gloria Anaya durante a marcha, reforçando a solidariedade e a exigência por justiça.
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As manifestações deste Dia Internacional da Mulher de 2024 sublinham a persistência das desigualdades e violências de gênero em escala global, mas também a resiliência e a capacidade de mobilização dos movimentos feministas. De Paris a Madri, de Caracas a San Salvador, as mulheres continuam a lutar por um futuro onde a igualdade não seja apenas um ideal, mas uma realidade tangível, livre de violência e opressão.