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Thursday, 05 February 2026
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Os 'Pombos-Drones' da Rússia: Uma Nova Era de Biossegurança ou um Campo Minado Ético?

Uma empresa russa revela tecnologia para controlar pombos re

Os 'Pombos-Drones' da Rússia: Uma Nova Era de Biossegurança ou um Campo Minado Ético?
Matrix Bot
3 hours ago
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Rússia - Agência de Notícias Ekhbary

Os 'Pombos-Drones' da Rússia: Uma Nova Era de Biossegurança ou um Campo Minado Ético?

Num mundo onde a fronteira entre a ficção científica e a realidade tecnológica se esbate a um ritmo vertiginoso, um anúncio recente da empresa russa Neiry captou a atenção internacional, suscitando tanto fascínio quanto profunda preocupação. No final de 2025, durante a sua conferência anual, esta empresa especializada em interfaces cérebro-máquina revelou uma tecnologia revolucionária: a capacidade de dirigir pombos à distância através de implantes cerebrais. Se a ideia de transformar aves urbanas em vetores controlados pode parecer saída de um cenário de filme de espionagem, a realidade é que este dispositivo já se encontra em fase avançada de testes, com um ensaio em larga escala anunciado como iminente, segundo informações reportadas por vários meios, incluindo o Le Parisien. Este evento abre um novo capítulo no desenvolvimento da biotecnologia e levanta uma vasta gama de questões.

No cerne desta inovação encontra-se um sistema complexo e miniaturizado. A Neiry equipa os pombos com elétrodos cirurgicamente implantados nos seus cérebros. Estes elétrodos são então ligados a um estimulador, discretamente fixado no dorso da ave e alimentado por pequenos painéis solares. O princípio é simples mas extraordinariamente eficaz: impulsos elétricos direcionados atuam sobre áreas cerebrais específicas ligadas ao movimento, permitindo assim controlar a orientação e a trajetória do voo. Graças a um módulo GPS integrado, estes 'pombos-drones' podem ser guiados com uma precisão notável, à maneira de um drone mecânico clássico, mas sem a necessidade de uma fase de treino prévia, o que representa uma poupança considerável de tempo e recursos.

A empresa Neiry destaca várias vantagens distintas da sua tecnologia. A discrição natural dos pombos em ambiente urbano é um trunfo importante, permitindo-lhes misturar-se no ambiente sem chamar a atenção. O seu baixo nível sonoro, em comparação com os drones motorizados, reforça esta furtividade. Além disso, a sua autonomia é impressionante, podendo atingir até 400 quilómetros por dia, muito para além das capacidades da maioria dos micro-drones atuais. A Neiry afirma ainda que o risco de acidentes seria comparável ao de uma ave comum, o que, se confirmado, reduziria consideravelmente as preocupações de segurança relacionadas com a sua implantação. Por enquanto, a tecnologia é operacional apenas com pombos, mas já estão em curso investigações para adaptá-la a outras espécies aviárias, como corvos ou gaivotas, a fim de aumentar potencialmente a carga útil transportada.

Oficialmente, a Neiry declara que as suas pesquisas visam usos puramente civis. A empresa evoca aplicações na agricultura, para a vigilância de culturas ou a deteção de doenças, bem como na logística, para a entrega de pequenas encomendas ou o reconhecimento de zonas de difícil acesso. A empresa insiste também no seu compromisso de respeitar o bem-estar animal, afirmando que os procedimentos são concebidos para minimizar o stress e a dor das aves. No entanto, estas garantias não conseguiram acalmar por completo as crescentes preocupações dentro da comunidade internacional e entre os especialistas em ética animal.

Vozes críticas, em particular entre os especialistas europeus, rapidamente se levantaram. A questão fundamental da ausência de consentimento dos animais para tais intervenções está no centro do debate ético. Manipular o comportamento de seres vivos por meios invasivos levanta sérias questões sobre a dignidade animal, a autonomia e os limites da experimentação científica. Agravando estas considerações éticas, está a fonte de financiamento da Neiry: a empresa recebeu, segundo se informa, o apoio financeiro de um fundo estatal russo. No atual clima geopolítico, este financiamento alimenta inevitavelmente a especulação sobre potenciais aplicações militares. A possibilidade de transformar bandos de pombos em ferramentas de vigilância, reconhecimento ou mesmo entrega de cargas leves para objetivos estratégicos, representa um cenário que muitos observadores consideram profundamente preocupante. Este potencial de duplo uso transforma o que poderia ser uma maravilha científica num objeto de profunda investigação geopolítica e ética.

Esta tecnologia, se se confirmar e se generalizar, poderá redefinir os paradigmas da vigilância e da logística, mas também abrir uma caixa de Pandora de desafios éticos e de segurança. Confronta-nos com questões complexas sobre a nossa relação com o reino animal e as responsabilidades inerentes aos avanços biotecnológicos. O próximo ensaio em larga escala, quando ocorrer, será escrutinado com intenso interesse, pois poderá marcar o início de uma era em que a própria natureza é reprogramada para servir os desígnios humanos, para o bem ou para o mal.

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