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Plataformas Digitais Sob Escrutínio: Substack Acusada de Lucrar com Newsletters Nazistas e Supremacistas Brancas
Uma investigação aprofundada recente do The Guardian expôs um aspecto perturbador da plataforma global de publicação Substack: o site estaria gerando receita significativa a partir de newsletters que promovem ativamente ideologias nazistas virulentas, supremacia branca e antissemitismo. Esta revelação lança uma luz dura sobre a plataforma, que possui aproximadamente 50 milhões de usuários em todo o mundo, em relação às suas responsabilidades éticas e políticas de moderação de conteúdo.
A Substack opera com um modelo de negócios onde indivíduos podem autopublicar artigos e cobrar por conteúdo premium, com a plataforma levando aproximadamente 10% da receita gerada por essas newsletters. Com cerca de 5 milhões de pessoas pagando por acesso a várias newsletters, isso significa que a Substack lucra diretamente com a disseminação de conteúdo odioso e extremista. A investigação desenterrou vários exemplos flagrantes que sublinham a gravidade deste problema.
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Entre as newsletters identificadas está uma intitulada 'NatSocToday', que acumulou 2.800 assinantes. Esta newsletter cobra 80 dólares (aproximadamente £60) por uma assinatura anual, embora grande parte de seu conteúdo esteja disponível gratuitamente. Acredita-se que a 'NatSocToday' seja operada por um ativista de extrema-direita baseado nos Estados Unidos e exibe proeminentemente uma suástica – um símbolo apropriado pelo partido nazista na década de 1920 para representar a supremacia branca – como sua foto de perfil. Uma de suas publicações recentes atribuiu falsamente a responsabilidade pela Segunda Guerra Mundial ao povo judeu e elogiou Adolf Hitler como 'um dos maiores homens de todos os tempos'.
A investigação revelou ainda um aspecto preocupante do comportamento algorítmico da Substack. Em apenas duas horas após a assinatura do 'NatSocToday' para fins da investigação, o algoritmo da Substack direcionou a conta do The Guardian para outros 21 perfis que apresentavam conteúdo extremista semelhante. Isso destaca um problema mais profundo sobre como os algoritmos podem amplificar inadvertidamente pontos de vista radicais, criando câmaras de eco digitais onde ideologias perigosas podem proliferar e ganhar força sem controle.
Outras contas trazidas à luz incluem 'Erika Drexler', uma autodenominada 'ativista NS [nacional-socialista]' com 241 assinantes, que cobra 150 dólares por uma assinatura anual. Esta conta baseada nos EUA compartilhou postagens que descrevem Hitler como seu 'herói' e o 'líder mais superqualificado de todos os tempos'. Similarmente, 'Ava Wolfe', com 3.000 assinantes, que se descreve como uma 'arquivista de artigos e vídeos sobre história, em particular a Segunda Guerra Mundial', parece estar sediada no Reino Unido e cobra £38 anualmente. Seu perfil exibe proeminentemente suásticas e outras imagens nazistas, e uma parte significativa de seu conteúdo se envolve na negação do Holocausto, afirmando falsamente que 'ninguém foi deliberadamente assassinado pelos alemães' e que as mortes foram 'apenas por doença e inanição', apesar do fato histórico de aproximadamente 6 milhões de judeus terem perecido no Holocausto.
Outra descoberta perturbadora foi o 'Third Reich Literature Archive', uma conta com 2.100 assinantes, que compartilhou cartões postais supostamente de um comício de propaganda nazista em Nuremberg em 1938, um ano antes do início da Segunda Guerra Mundial. Esta conta também cobra 80 dólares por ano por uma assinatura premium. A investigação do The Guardian também descobriu que o algoritmo promovia postagens que propagavam teorias da conspiração sobre o 'poder e influência judaica' e sugeriam que o antissemitismo era um mito. Além disso, direcionou os usuários para outros conteúdos extremistas, incluindo newsletters relacionadas à teoria da conspiração da 'grande substituição', que postula um complô para substituir os europeus brancos por pessoas de outras raças.
Estas revelações surgem em um momento de acentuado aumento global do antissemitismo e da islamofobia, particularmente desde o início do conflito Israel-Gaza em outubro de 2023. Danny Stone, diretor executivo da Antisemitism Policy Trust, enfatizou que o conteúdo online prejudicial frequentemente inspira ataques na vida real. Ele citou vários exemplos trágicos: o assassinato motivado por racismo de 10 afro-americanos em Buffalo, Nova York, em 2022; um tiroteio em uma sinagoga em Pittsburgh, Pensilvânia, em 2018, que matou 11 pessoas; e o ataque de 2017 a uma mesquita em Finsbury Park, norte de Londres, que resultou em uma morte e vários feridos. Stone declarou inequivocamente: 'As pessoas podem ser, e são, inspiradas por danos online a causar danos no mundo real'.
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Os achados levantam questões urgentes sobre a responsabilidade das plataformas tecnológicas em monitorar e lucrar com o conteúdo que hospedam. Embora essas plataformas frequentemente defendam a liberdade de expressão, lucrar com material que incita ao ódio e à violência representa uma grave violação dos padrões éticos e sociais. É imperativa uma ação imediata e decisiva para garantir que o espaço digital não se torne um refúgio seguro para extremistas espalharem suas ideologias perigosas e incitarem danos no mundo real.