Ekhbary
Thursday, 29 January 2026
Breaking

Maternidade no Cinema: Entre o Ideal e o Inferno Psicológico

Maternidade no Cinema: Entre o Ideal e o Inferno Psicológico
Ekhbary Editor
1 day ago
25

Brasil - Agência Notícias Globais

Maternidade no cinema tem sido um espelho distorcido da realidade, transitando de representações doces e irreais para uma visão sombria e patologicamente traumática. Essa oscilação extrema, que ignora a complexidade da experiência real, reflete uma tendência social de psicologizar a vida cotidiana.

Recentemente, filmes como "If I Had Legs I’d Kick You", "Die My Love" e "Nightbitch" ilustram a maternidade como uma provação excruciante, equiparando-a a uma verdadeira experiência de guerra. Nesses enredos, o desgaste emocional e psicológico é intenso, e a figura masculina é frequentemente retratada como inútil ou até mesmo psicopática.

Essa nova onda no cinema parece substituir a perfeição idílica do passado pelo terror mais patológico. Longe de uma visão romântica, a maternidade é apresentada como um caminho repleto de sofrimento, onde o trauma pode levar a transformações extremas, como uma mãe que se torna um cachorro em uma das obras.

A Psicologização da Maternidade no Cinema

O que antes era silenciado – os medos, os desafios e os desesperos da maternidade – agora é exacerbado por uma lente de psicologização extrema. Este termo sugere que toda experiência, mesmo as banais, é tratada como um risco traumático capaz de destruir um ser humano.

Fenômenos como a tristeza, o medo e a ansiedade, que são partes normais da existência, são frequentemente medicalizados ou elevados ao status de patologias graves. O sociólogo Frank Furedi exemplifica isso com a história dos “terapeutas de transição” para membros do parlamento britânico, mostrando como até a adaptação a uma nova rotina é vista como passível de terapia.

Essa visão extrema nos leva a crer que ninguém vive de fato, apenas sobrevive. Sobrevivemos à infância, à adolescência, aos filhos, aos pais e até mesmo às celebrações, sempre com a impressão de que carregamos traumas latentes. Franklin Roosevelt dizia: “A única coisa que devemos temer é o próprio medo”. Hoje, o medo do medo em si é considerado uma patologia.

  • **Maternidade Não é Inata:** Não existe uma vocação inata ou obrigação para ser mãe; uma vida plena pode dispensar essa etapa.
  • **Riscos da Cultura Terapêutica:** Mulheres que desejam ter filhos podem ser aterrorizadas por essa cultura que exacerba os desafios.

O psicanalista D.W. Winnicott oferece uma perspectiva mais equilibrada, propondo o conceito da “mãe suficientemente boa”. Isso significa descer as expectativas e cumprir os “mínimos olímpicos”: estar presente, garantir um ambiente estável e, crucialmente, nunca ambicionar a perfeição.

Winnicott descreve o amor de mãe como um “negócio bastante rude”, que inclui posse, apetite, generosidade e poder, mas que é avesso ao sentimentalismo. O cinema, tanto no passado com seu sentimentalismo positivo quanto no presente com seu sentimentalismo negativo, falha em capturar essa realidade nuanced.

Ambas as abordagens cinematográficas não toleram a “banalidade suficientemente boa” da vida como ela é. É essencial que a arte comece a retratar a maternidade com a complexidade e o realismo que ela merece, longe de idealizações ou patologias extremas.

Para mais informações, visite Notícias Globais.