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Sunday, 01 February 2026
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Adeus a Catherine O’Hara, a icônica mãe de Kevin em "Esqueceram de Mim"

A aclamada atriz canadense, conhecida por seus papéis memorá

Adeus a Catherine O’Hara, a icônica mãe de Kevin em "Esqueceram de Mim"
Ekhbary Editor
23 hours ago
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Canadá - Agência de Notícias Ekhbary

Catherine O’Hara: O Fim de uma Era Cômica Inesquecível

O universo da sétima arte e da televisão despede-se de uma de suas estrelas mais brilhantes e versáteis. Catherine O’Hara, a atriz canadense cujo talento singular a consagrou como um ícone da comédia, faleceu aos 71 anos. A notícia, que abalou fãs e colegas de profissão, foi confirmada por fontes próximas à família nos Estados Unidos, embora as causas exatas do falecimento não tenham sido divulgadas oficialmente. O mundo perde, assim, uma artista que dedicou mais de quatro décadas à sua arte, deixando um legado de personagens que transcenderam as telas e se fixaram no imaginário popular.

Para uma vasta audiência global, Catherine O’Hara será eternamente lembrada como Kate McCallister, a mãe aflita e muitas vezes esquecida de Kevin McCallister (interpretado por Macaulay Culkin) nos clássicos natalinos "Esqueceram de Mim" (1990) e sua sequência "Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York" (1992). Sua interpretação da mãe desesperada, que se desdobrava para reencontrar o filho deixado para trás, tornou-se um marco cultural, sinônimo de comédia familiar e do caos adorável que definiu a franquia. A expressão de pânico seguida de alívio, o sotaque peculiar e a energia contagiante de Kate McCallister são elementos que ressoam até hoje, garantindo a O’Hara um lugar de destaque na galeria dos personagens mais queridos do cinema.

No entanto, limitar o brilho de Catherine O’Hara a apenas este papel seria uma injustiça à magnitude de sua carreira. Sua trajetória artística é um mosaico rico e multifacetado, pontuado por atuações que desafiaram gêneros e exploraram as profundezas da expressão humana, sempre com um toque de genialidade cômica. Nas últimas décadas, ela conquistou uma nova geração de admiradores com sua interpretação magistral de Moira Rose na aclamada série de televisão "Schitt's Creek". Durante seis temporadas, O’Hara deu vida a uma ex-atriz de novela decadente, dona de um vocabulário excêntrico, figurinos extravagantes e uma dramaticidade exagerada, mas com uma vulnerabilidade surpreendente. Este papel não apenas revitalizou sua carreira, mas também lhe rendeu o prestigioso prêmio Emmy de Melhor Atriz Principal em Série de Comédia em 2020, consolidando seu status como uma força inigualável no entretenimento contemporâneo.

A influência de O’Hara na comédia canadense remonta aos anos 1980, quando se tornou uma figura central no programa de televisão "SCTV Network 90". Este show inovador, conhecido por sua sátira inteligente e esquetes criativas, não só a projetou nacionalmente, mas também lhe proporcionou seu primeiro Emmy, desta vez como roteirista. Sua habilidade de transitar entre a atuação e a escrita demonstrava a amplitude de seu talento e sua profunda compreensão do humor.

No cinema, Catherine O’Hara cultivou uma relação especial com o universo da comédia americana, colaborando repetidamente com diretores visionários e atores de ponta. Sua participação em "Beetlejuice - Os Fantasmas se Divertem" (1988), de Tim Burton, onde interpretou Delia Deetz, a excêntrica e obcecada pela arte madrasta de Lydia Deetz, é outro exemplo de sua capacidade de criar personagens memoráveis e excêntricos. A parceria com o diretor Christopher Guest rendeu joias da comédia mockumentary, como "Melhor é Impossível" (1996) e "A Mighty Wind - Força de Mulheres" (2003). Nesses filmes, O’Hara explorou com maestria o absurdo do comportamento humano, a pretensão artística e as dinâmicas familiares peculiares, estabelecendo-se como uma figura central no nicho de humor inteligente e surreal.

Seu último trabalho notável para a televisão ocorreu em 2018, na série da Apple TV+ "The Studio", onde atuou ao lado de Seth Rogen. Essa participação lhe rendeu mais uma indicação ao Emmy, evidenciando a consistência e a relevância de sua presença na indústria, mesmo em fases mais maduras de sua carreira.

Nascida e criada em Toronto, Canadá, Catherine O’Hara era a sexta de sete filhos. Sua formação em uma família numerosa pode ter contribuído para sua capacidade de observar e retratar nuances do comportamento humano. Foi no set de "Beetlejuice" que ela conheceu seu futuro marido, o renomado designer de produção Bo Welch. O casal se casou em 1992 e juntos tiveram dois filhos, Matthew e Luke, construindo uma família longe dos holofotes, mas sempre apoiando a carreira da atriz.

A notícia de sua partida gerou uma onda de homenagens emocionadas nas redes sociais. Macaulay Culkin, o eterno Kevin McCallister, compartilhou uma mensagem tocante em seu Instagram: "Mamãe. Pensei que teríamos mais tempo. Eu queria mais. Tinha tanto mais para te dizer. Eu te amo. Nos veremos". As palavras, carregadas de afeto e saudade, ecoaram o sentimento de muitos que cresceram com suas atuações.

O ator Pedro Pascal, que também se tornou um fã de O’Hara através de "Schitt's Creek", prestou sua homenagem: "Sou eternamente grato. Há menos luz no meu mundo. Este mundo sortudo que te teve, e que sempre te terá". A simplicidade e a profundidade de sua mensagem capturaram a admiração que muitos sentem pela atriz.

O renomado cantor canadense Michael Bublé, também expressou seu pesar, descrevendo O’Hara como "única". "Uma luz rara neste mundo e sua morte me atinge com um peso que não consigo expressar em palavras. Ela não era apenas uma artista, atriz e comediante lendária. Era uma embaixadora do Canadá no verdadeiro sentido da palavra: brilhante, corajosa, profundamente original e cheia de humanidade. Ela fez o mundo rir, mas também tinha o dom de fazer as pessoas se sentirem reconhecidas", declarou Bublé, ressaltando não apenas o talento cômico, mas também a profundidade e o impacto humanitário de sua obra.

O legado de Catherine O’Hara é, sem dúvida, um tesouro para a cultura popular. Sua capacidade de infundir vida a personagens complexos, sejam eles exagerados ou sutilmente vulneráveis, com uma precisão e um timing cômico incomparáveis, a solidificaram como uma das maiores atrizes de sua geração. Ela nos ensinou a rir de nós mesmos, a abraçar o absurdo da vida e a encontrar humanidade nos lugares mais inesperados. Sua ausência deixa um vazio imenso, mas suas atuações continuarão a iluminar e a entreter públicos por muitas e muitas décadas, um testemunho eterno de seu talento extraordinário.