Ekhbary
Sunday, 01 February 2026
Breaking

A Tensão Cresce no PJ Bonaerense: Kicillof Ignora Máximo Kirchner e Insiste em Candidato Leal para a Presidência do Partido

A disputa pela liderança do Partido Justicialista na provínc

A Tensão Cresce no PJ Bonaerense: Kicillof Ignora Máximo Kirchner e Insiste em Candidato Leal para a Presidência do Partido
Ekhbary Editor
1 day ago
69

Argentina - Agência de Notícias Ekhbary

A Tensão Cresce no PJ Bonaerense: Kicillof Ignora Máximo Kirchner e Insiste em Candidato Leal para a Presidência do Partido

A política interna do Partido Justicialista (PJ) na província de Buenos Aires está em um ponto de inflexão, marcada por uma crescente tensão e uma clara disputa de poder entre duas das figuras mais influentes do peronismo atual: o governador Axel Kicillof e Máximo Kirchner, filho da ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner e líder de La Cámpora. O cenário pré-eleitoral para a presidência do PJ bonaerense, com prazo final para a apresentação de candidaturas em 8 de fevereiro e eleições marcadas para 15 de março, revela uma complexa teia de negociações, alianças e desconfianças que ameaçam a tão buscada unidade partidária.

Recentemente, Máximo Kirchner tentou romper a monotonia das negociações internas do peronismo ao deixar vazar para a imprensa a sua disposição de apoiar Axel Kicillof para a presidência do PJ provincial, em um aparente gesto de busca pela unidade. No entanto, a resposta vinda de La Plata, sede do governo provincial, foi um silêncio eloquente, que, na prática, se traduziu em uma rejeição polida, mas firme, à proposta. Fontes próximas ao governador ratificaram a exigência de que o futuro presidente do partido seja um dirigente que defenda a gestão bonaerense “de forma explícita”, uma condição que parece excluir a manobra de Kirchner e aponta para a preferência por um nome alinhado ao Movimento Direito ao Futuro (MDF), grupo de intendentes leais a Kicillof.

A menos de duas semanas do encerramento do prazo para a apresentação das listas, o clima político é de grande efervescência. Kicillof se reuniu com um grupo de intendentes das Primeira e Terceira Seções eleitorais, todos militantes do MDF. Nesse encontro, a proposta de que o próprio governador assumisse a liderança do PJ provincial foi novamente posta sobre a mesa. Embora a possibilidade de Kicillof se candidatar seja vista como improvável por ele mesmo e por alguns de seus aliados, a reunião reforçou a ideia de que a presidência deveria recair sobre alguém de sua extrema confiança. Neste contexto, o nome da vice-governadora Verónica Magario, figura proeminente do peronismo e aliada de Kicillof, foi novamente impulsionado como uma alternativa forte para a liderança do partido.

Contudo, a busca por um consenso em torno de Magario enfrenta resistências significativas dentro do próprio PJ. A intendenta de Moreno, Mariel Fernández, por exemplo, já manifestou publicamente sua intenção de reunir os apoios necessários para se apresentar como candidata à presidência do PJ bonaerense, caso Magario seja a cabeça de lista do MDF. Essa divisão interna sugere que a unidade, tão almejada, pode ser um objetivo distante. Diante desse cenário de possíveis fragmentações, a equipe de Kicillof teria começado a considerar outros nomes, como o de Julio Alak, ministro de Justiça e Direitos Humanos da província, como uma alternativa para tentar costurar um consenso mais amplo.

A eleição de 15 de março, que definirá a próxima condução do PJ bonaerense, é crucial para o futuro político da província e para o equilíbrio de forças dentro do peronismo. Com mais de 1,1 milhão de filiados habilitados a votar, a liderança do partido é uma plataforma estratégica para a construção de candidaturas futuras e para a definição das políticas públicas. A urgência em encontrar um nome de unidade é palpável entre muitos dirigentes, dada a escassez de tempo para uma campanha eleitoral eficaz, com menos de 45 dias para convencer e mobilizar a base peronista.

A mensagem de Máximo Kirchner, divulgada por La Cámpora na imprensa, oferecendo a Kicillof a presidência do PJ, foi interpretada por muitos analistas como um movimento tático. Embora apresentado como um gesto de unidade, é visto também como uma forma de pressão sobre o governador, que até então não havia manifestado publicamente sua intenção de encabeçar o partido. A resposta do círculo de Kicillof, que preferiu o silêncio oficial, mas reafirmou a necessidade de um líder que “apoie aberta e explicitamente o Governador e as políticas públicas do governo provincial”, deixou claro que a oferta de Kirchner não foi bem recebida, ou pelo menos, não nos termos propostos.

Um chefe comunal ligado ao MDF expressou ceticismo sobre a proposta de Kirchner, sugerindo que La Cámpora estava “perdendo” e precisava de uma nova estratégia. “Jogaram o nome de Federico Otermín (intendente de Lomas de Zamora), depois a possibilidade de Leonardo Nardini, que a rejeitou. Conduzir é escutar também”, declarou a fonte, evidenciando a percepção de que as tentativas de Kirchner de impor nomes não estavam surtindo efeito. A recusa em dialogar abertamente com a proposta de Máximo, e a insistência em um candidato do MDF, sublinha a intenção de Kicillof de não ceder terreno na disputa pelo controle político do partido provincial.

A postura inflexível de Kicillof e seus aliados foi reiterada: “Quem nos assegura isso é alguém do MDF. Depois se discutirá o nome”, afirmaram fontes do governo, indicando que a lealdade à gestão provincial é inegociável. Questionados sobre a iniciativa de Máximo Kirchner, a resposta foi um gesto evasivo e a sugestão de “perguntar a Máximo”, o que reforça a ideia de que não há uma oferta formal ou um diálogo construtivo em andamento entre as duas alas do peronismo.

Apesar do prazo de 8 de fevereiro para a apresentação de candidaturas, a possibilidade de um congresso peronista antes de 15 de março para ungir uma lista de unidade ainda existe. No entanto, a concretização desse acordo dependerá da capacidade dos líderes de superar as profundas divisões que persistem em muitos municípios, onde dirigentes estão fortemente enfrentados. A busca pela unidade se choca com a intransigência de setores que defendem posturas ideológicas e políticas de forma categórica.

Florencia Saintout, integrante de La Cámpora e ministra de Cultura do próprio governo de Kicillof, defendeu abertamente a candidatura de Kirchner, questionando a direção que o peronismo deve tomar. “O que queremos? Um peronismo conservador, um peronismo mascote do poder? Um peronismo transformador que seja capaz de discutir com o poder, que não é somente Milei, é o poder midiático concentrado, o poder econômico. Temos que discutir o que queremos em 2027. Justamente, eu quero um Kirchner”, declarou Saintout em entrevista, evidenciando a clivagem ideológica e a defesa intransigente da linha kirchnerista.

A ministra reforçou a relevância do sobrenome Kirchner dentro do peronismo, argumentando que “Máximo é muito mais que um nome, é Kirchner e honrou ser Kirchner”, em um apelo emocional e político à base. Essa postura reflete a visão de um setor que vê a liderança de Máximo como essencial para a continuidade de um peronismo mais combativo e alinhado aos princípios históricos do movimento.

Do outro lado do espectro, as críticas são igualmente duras. Gilberto Alegre, intendente de General Villegas e militante do MDF, não poupou Cristina Kirchner de duras qualificações. “O kirchnerismo não é peronismo. É socialismo do século XXI. Para mim, Cristina Fernández é uma delinquente condenada por delitos comuns”, disparou Alegre em uma entrevista, ilustrando a profundidade da fissura ideológica e pessoal que divide o peronismo bonaerense. Essas declarações, que qualificam o kirchnerismo como uma ideologia distinta do peronismo tradicional e atacam diretamente a figura de Cristina Kirchner, demonstram a dificuldade em conciliar as diferentes visões e a complexidade de construir uma frente unificada.

A batalha pela presidência do PJ bonaerense é, portanto, muito mais do que uma mera eleição interna; é um embate pela alma do peronismo na província mais importante da Argentina. Kicillof busca consolidar sua liderança e garantir um partido alinhado à sua gestão, enquanto Máximo Kirchner e La Cámpora lutam para manter sua influência e o legado kirchnerista. O resultado dessa disputa não apenas definirá o futuro do partido na província, mas também terá um impacto significativo no cenário político nacional, especialmente com as vistas voltadas para as eleições de 2027.