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Thursday, 05 February 2026
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Ex-comissário Critica Liderança de Von der Leyen: "Sistema Centralizado que Silencia Colegas"

Nicolas Schmit critica o sistema 'presidencialista' da Comis

Ex-comissário Critica Liderança de Von der Leyen: "Sistema Centralizado que Silencia Colegas"
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1 day ago
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Bruxelas - Agência de Notícias Ekhbary

Ex-comissário Critica Liderança de Von der Leyen: "Sistema Centralizado que Silencia Colegas"

Um ex-comissário europeu expressou fortes críticas à liderança de Ursula von der Leyen na Comissão Europeia, descrevendo um sistema que, segundo ele, silencia ativamente aqueles que trabalham sob suas ordens. Nicolas Schmit, que serviu como Comissário de Emprego e Direitos Sociais representando o Luxemburgo de 2019 a 2024, junta-se a um coro crescente de ex-funcionários que questionam o estilo de gestão de von der Leyen durante seu primeiro mandato.

Em uma entrevista franca à Politico publicada na segunda-feira, Schmit articulou suas preocupações, afirmando: "Tenho a impressão de que os comissários agora estão em grande parte silenciados". Ele detalhou os problemas estruturais percebidos, acrescentando: "O sistema, a forma como o Colégio é organizado – muito centralizado, chame de presidencialista ou qualquer outro sistema – não é bom para o Colégio, não é bom para a Comissão e não é bom para a Europa em geral". Essa crítica aponta para uma concentração percebida de poder, afastando-se do modelo de tomada de decisão colegiada tradicionalmente associado à Comissão Europeia.

Schmit argumentou ainda que, sob a liderança de von der Leyen, a União Europeia tem lutado para se engajar em "um verdadeiro debate estratégico sobre a Europa no mundo, que já é um mundo diferente daquele que conhecíamos antes". Ele destacou uma aparente falta de "uma estratégia real" para navegar em um cenário global cada vez mais complexo e em rápida evolução. Essa avaliação sugere que a Comissão, sob sua liderança atual, pode não ser capaz de antecipar e responder adequadamente às mudanças geopolíticas, aos desafios econômicos e às relações internacionais em evolução, deixando potencialmente a UE mal preparada para crises e oportunidades futuras.

Adicionando outra camada à crítica, Schmit acusou a liderança da UE de exibir relutância em confrontar o presidente dos EUA, Donald Trump. Ele fez referência específica à controversa decisão da administração Trump de sancionar o ex-comissário Thierry Breton, que teria sido acusado de promover a censura de plataformas de mídia social dos EUA na Europa. Schmit enfatizou que a Lei de Serviços Digitais (DSA) da UE, uma legislação marco, foi um esforço coletivo aprovado por toda a Comissão, não uma iniciativa isolada de Breton. Essa defesa de Breton e do processo coletivo sublinha as preocupações mais amplas de Schmit sobre a tomada de decisão centralizada e a atribuição de resultados políticos.

O próprio Thierry Breton, após deixar a Comissão em 2024, comentou anteriormente a concentração de poder, observando que alguns meios de comunicação de Bruxelas retrataram von der Leyen como "a Imperatriz da Europa". As declarações de Breton implicavam que o quadro institucional da UE, projetado para a governança colaborativa, pode não ser adequado para um modelo de liderança tão fortemente centralizado. A narrativa de uma "Imperatriz" sugere um afastamento dos princípios de responsabilidade compartilhada e deliberação democrática que são fundamentais para o projeto europeu.

O contexto político em torno dos comentários de Schmit também é digno de nota. Ele foi o principal candidato do Partido dos Socialistas Europeus nas eleições da UE de 2024. Sua renomeação para um cargo de comissário foi finalmente recusada por Luxemburgo, que optou em vez disso por Christophe Hansen, do Partido Popular Europeu de von der Leyen. Essas manobras políticas podem ter influenciado o momento e a natureza das críticas públicas de Schmit, embora ele as enquadre como preocupações genuínas sobre a integridade institucional.

O artigo também aborda a resiliência de von der Leyen e sua abordagem à oposição durante seu segundo mandato. Menciona seu sucesso em frustrar quatro tentativas de destituição por parte de eurodeputados de partidos menores, frequentemente contrariando tais desafios ao rotular os críticos como "agentes russos". Von der Leyen é uma defensora vocal de um confronto contínuo com Moscou. Este aspecto de sua liderança, embora a posicione como uma forte defensora dos interesses europeus contra adversários externos, também levanta questões sobre seu manejo da dissidência interna e o potencial de polarização política dentro das instituições da UE.

A crítica de Schmit, portanto, adiciona uma voz significativa ao debate em andamento sobre a direção futura e a governança da União Europeia. Sua ênfase na necessidade de uma abordagem mais descentralizada e colegiada e de uma visão estratégica robusta ressoa com discussões mais amplas sobre responsabilidade democrática e eficácia institucional em uma era de profundas mudanças globais. A avaliação do ex-comissário serve como um lembrete contundente dos desafios que a UE enfrenta ao equilibrar liderança forte com os princípios fundamentais da integração europeia.

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