Oriente Médio - Agência de Notícias Ekhbary
Entre a esperança de acordo de Trump e os avisos de guerra regional de Khamenei: as tensões EUA-Irã escalam
Em meio a uma escalada de tensões entre Washington e Teerã, o presidente americano Donald Trump, no domingo, 1º de fevereiro, declarou sua esperança de concluir um acordo com o Irã. Esta declaração veio após um severo aviso do Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, sobre o risco de uma «guerra regional» caso os Estados Unidos concretizassem sua ameaça de intervenção militar. Essas declarações recíprocas iluminam o complexo panorama das relações EUA-Irã, caracterizado por ameaças e indícios de soluções diplomáticas, tudo isso em um cenário de profundos distúrbios internos no Irã.
Os avisos americanos intensificaram-se desde o início da última onda de protestos no Irã, que foram brutalmente reprimidos a portas fechadas em janeiro, em um país que experimentou interrupções generalizadas da internet e um isolamento significativo do mundo exterior. Enquanto reiterava seu desejo de negociar com Teerã para evitar uma escalada perigosa, Trump disse à imprensa: «Espero que cheguemos a um acordo. Se não tivermos um acordo, veremos se [o Líder Supremo] estava certo ou não».
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A resposta de Trump seguiu o primeiro discurso público de Ali Khamenei em duas semanas, onde ele emitiu um novo e firme aviso. O Líder Supremo alertou: «Os americanos devem saber que se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional», referindo-se a confrontos militares passados envolvendo os Estados Unidos e o Irã. Este aviso reflete a profunda preocupação de Teerã com qualquer intervenção militar externa, especialmente dada uma longa história de desconfiança e conflitos na região.
Khamenei não apenas emitiu avisos externos, mas também fustigou veementemente os manifestantes internos, descrevendo suas ações como uma tentativa de golpe de estado fracassada. «Eles atacaram a polícia, edifícios governamentais, quartéis da Guarda Revolucionária, bancos, mesquitas e queimaram o Alcorão... foi um verdadeiro golpe de estado», acusou, assegurando que esta tentativa havia «falhado». Essa retórica oficial visa deslegitimar o movimento de protesto e justificar a brutal repressão realizada pela República Islâmica.
As autoridades iranianas responderam ao movimento de protesto com uma repressão sangrenta e prisões em massa. As manifestações, inicialmente lançadas contra o custo de vida, rapidamente se transformaram em um movimento de desafio generalizado contra as autoridades. Entre os detidos, Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso em 10 de janeiro, durante o pico das manifestações. Erigido por defensores dos direitos humanos como o rosto do movimento, Soltani tornou-se um símbolo de resistência. Ele foi libertado no sábado sob fiança, declarou seu advogado, Amir Mousakhani, no domingo. Os Estados Unidos e ONGs haviam alertado previamente sobre o risco de execução do jovem, acusado de propaganda contra o sistema islâmico e de atentar contra a segurança nacional, segundo a justiça. No entanto, o Irã havia negado que ele enfrentasse a pena de morte pelos fatos que lhe eram imputados.
De acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos, mais de 42.000 pessoas foram presas durante o movimento. Ela também confirmou 6.713 mortes, a maioria das quais eram manifestantes. Mas o número de mortos pode ser muito maior, com mais de 17.000 mortes em revisão, escreve a organização. Esses números contrastam fortemente com a narrativa oficial iraniana.
As autoridades iranianas reconhecem a morte de milhares de pessoas, mas afirmam que a grande maioria eram forças de segurança ou transeuntes mortos por «terroristas». Uma operação orquestrada, segundo Teerã, pelos Estados Unidos e Israel. A presidência publicou no domingo os nomes de 2.986 pessoas mortas durante os distúrbios de uma lista de 3.117 mortos. Os 131 restantes ainda não foram identificados, segundo um comunicado oficial. Essa discrepância em números e narrativas destaca a profunda divisão dentro e ao redor do Irã.
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Esses desenvolvimentos inserem-se no contexto da campanha de «pressão máxima» imposta pelos Estados Unidos ao Irã após sua retirada do acordo nuclear de 2018, exacerbando a crise econômica na República Islâmica. Esse turbilhão de tensões, agitação interna e externa, torna a situação na região extremamente frágil, com potenciais consequências para a estabilidade global.