Ekhbary
Sunday, 01 February 2026
Breaking

Standard & Poor's eleva perspetiva da Itália para positiva, mantendo rating BBB+; Giorgetti celebra: 'O trabalho compensa'

Agência de rating destaca melhoria nas projeções económicas

Standard & Poor's eleva perspetiva da Itália para positiva, mantendo rating BBB+; Giorgetti celebra: 'O trabalho compensa'
Ekhbary Editor
1 day ago
87

Roma - Agência de Notícias Ekhbary

Standard & Poor's eleva perspetiva da Itália para positiva, mantendo rating BBB+; Giorgetti celebra: 'O trabalho compensa'

A agência de rating global Standard & Poor's (S&P) anunciou a manutenção do rating de crédito soberano da Itália em 'BBB+', uma classificação que indica um grau de investimento médio, mas surpreendeu os mercados ao elevar a perspetiva (outlook) do país de 'estável' para 'positiva'. Esta decisão reflete uma visão mais otimista sobre a capacidade da Itália de gerir as suas finanças públicas e impulsionar o crescimento económico nos próximos anos. A notícia foi recebida com entusiasmo pelo governo italiano, com o Ministro da Economia e Finanças, Giancarlo Giorgetti, a comentar que "a trajetória de maior credibilidade em relação à Itália não para. O trabalho compensa", sublinhando o reconhecimento dos esforços de reforma e consolidação fiscal do executivo.

A elevação da perspetiva para positiva é um sinal crucial de confiança por parte de uma das maiores agências de rating do mundo. Significa que, embora o rating atual permaneça inalterado, a S&P vê uma probabilidade maior de uma melhoria na classificação de crédito da Itália no médio prazo, caso as tendências económicas e fiscais favoráveis persistam. Esta avaliação é particularmente significativa num contexto de incerteza económica global e de desafios estruturais persistentes para a terceira maior economia da Zona Euro.

Fundamentos da Decisão da S&P: Setor Privado Resiliente e Consolidação Fiscal

De acordo com a agência de rating sediada em Nova Iorque, a perspetiva positiva baseia-se na expectativa de que, "apesar da persistente incerteza no comércio internacional, o setor privado diversificado da Itália continuará a sustentar os excedentes da balança corrente, melhorando a posição credora líquida da economia em relação ao resto do mundo". Este é um ponto vital, pois um setor privado robusto e exportador pode gerar as receitas necessárias para fortalecer a economia e mitigar os riscos associados à elevada dívida pública. Além disso, a S&P prevê que "o setor público deverá reduzir gradualmente o seu endividamento líquido, colocando a dívida pública numa lenta trajetória descendente a partir de 2028".

A análise da S&P destaca vários fatores que contribuem para esta visão otimista. Um dos pontos abordados é a atenuação progressiva do impacto do 'Superbonus', um incentivo fiscal generoso para obras de renovação de edifícios, que gerou custos significativos para o orçamento público nos últimos anos. Embora os desembolsos de caixa relacionados com o Superbonus continuem a pesar no saldo de caixa entre 2026 e 2028, a S&P estima que o seu impacto "está em gradual atenuação e deverá desaparecer até 2028-2029". Esta normalização é fundamental para aliviar a pressão sobre as finanças públicas e permitir uma gestão orçamental mais sustentável.

Em termos de défice/PIB, a S&P projeta uma melhoria notável. O relatório indica que o rácio "deverá cair abaixo de 3% do PIB em 2026", um marco importante para a conformidade com as regras fiscais da União Europeia, "e depois reduzir-se apenas marginalmente nos anos seguintes". A partir de 2024, os analistas observam que "o país regista excedentes primários", o que significa que as receitas do Estado superam as despesas, excluindo os pagamentos de juros da dívida. Esta é uma base sólida para a redução da dívida a longo prazo.

Dívida Pública e Trajetória de Redução

A dívida pública italiana continua a ser uma das mais elevadas da Zona Euro, estimada em 136% do PIB em 2025. No entanto, a S&P prevê que, após um ligeiro aumento até 2027, "iniciará uma gradual fase de redução". Esta projeção é crucial para a sustentabilidade fiscal do país e para a confiança dos investidores. A capacidade de inverter a tendência de crescimento da dívida e colocá-la numa trajetória descendente é um indicador-chave da saúde económica e da disciplina orçamental.

O sucesso na redução do défice e da dívida dependerá em grande parte das medidas de consolidação orçamental implementadas pelo governo. A S&P prevê que o défice orçamental "cairá marginalmente para 2,9% do PIB em 2026, de 3,0% estimado para 2025". Esta melhoria será impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo "impostos extraordinários sobre bancos e seguradoras, uma aplicação mais rigorosa do IVA e modificações na tributação de arrendamentos de curta duração e de regimes para indivíduos de alto património líquido". Estas medidas deverão "compensar amplamente os cortes nos impostos sobre o rendimento para rendimentos médios, a redução das contribuições para a segurança social a cargo dos empregadores e o apoio aos rendimentos baixos". A agência antecipa "um saneamento adicional, com um défice orçamental que se reduzirá para 2,7% do PIB até 2029", demonstrando um caminho claro para a sustentabilidade fiscal.

Cenário Político e Desafios Estruturais

Apesar das perspetivas económicas e fiscais mais favoráveis, a S&P não ignora os desafios políticos internos da Itália. A agência observa que "é provável que a competição política, tanto dentro da coligação governamental como entre os partidos da oposição, se intensifique em vista das eleições gerais de dezembro de 2027". Esta intensificação da rivalidade política "limitará a ambição política e o âmbito de importantes reformas estruturais". Além disso, a S&P considera "improvável que as eleições municipais de 2026 influenciem materialmente a política nacional", sugerindo que o foco principal permanecerá nas dinâmicas políticas a nível nacional.

A Primeira-Ministra Giorgia Meloni tem procurado abordar a questão da governabilidade, anunciando "modificações à lei eleitoral, incluindo um bónus de maioria mais forte para melhorar a governabilidade". No entanto, os analistas da S&P alertam que "as perspetivas de aprovação permanecem incertas, dado o apoio limitado e os obstáculos constitucionais". A estabilidade política e a capacidade de implementar reformas estruturais são cruciais para o crescimento a longo prazo e para a consolidação da confiança dos investidores.

Implicações para a Itália e Mercados Financeiros

A elevação da perspetiva da S&P é uma notícia bem-vinda para a Itália e para os mercados financeiros. Poderá levar a uma redução dos custos de financiamento da dívida italiana, uma vez que uma perspetiva positiva geralmente indica um menor risco de incumprimento. Isto, por sua vez, pode libertar recursos orçamentais que poderiam ser reinvestidos na economia ou utilizados para acelerar a redução da dívida. A decisão também pode impulsionar a confiança dos investidores estrangeiros, incentivando o investimento direto e o crescimento económico.

Apesar do otimismo, a Itália ainda enfrenta desafios significativos. A elevada dívida pública, o envelhecimento demográfico, a baixa produtividade e as disparidades regionais são questões estruturais que exigem atenção contínua. A capacidade do governo de Giorgia Meloni de manter a disciplina fiscal, implementar reformas e navegar no complexo cenário político será fundamental para transformar a perspetiva positiva da S&P numa efetiva melhoria do rating de crédito no futuro. A vigilância sobre a evolução económica e política do país permanecerá alta, mas a S&P deu um voto de confiança importante nos progressos recentes da Itália.