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Thursday, 19 February 2026
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O menor possum do mundo pode estar escondido no sul da Austrália, reacendendo esperanças de conservação

Um reexame de imagens históricas de armadilhas fotográficas

O menor possum do mundo pode estar escondido no sul da Austrália, reacendendo esperanças de conservação
7DAYES
4 hours ago
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Austrália - Agência de Notícias Ekhbary

O menor possum do mundo pode estar escondido no sul da Austrália, reacendendo esperanças de conservação

Em um desenvolvimento que poderia reescrever os mapas de distribuição dos menores mamíferos da Austrália, evidências convincentes sugerem que o menor possum do mundo, o possum pigmeu-pequeno (Cercartetus lepidus), pode estar prosperando secretamente em uma região do sul da Austrália onde sua presença nunca foi oficialmente registrada. Esta potencial descoberta, resultante de uma reavaliação meticulosa de fotografias históricas, sublinha a importância crítica dos habitats remanescentes e levanta questões urgentes sobre os esforços de conservação em um dos continentes mais biodiversos do planeta.

Pesando menos de meio quilo, o possum pigmeu-pequeno tem sido há muito tempo celebrado como um dos mamíferos mais diminutos da Austrália. Essas minúsculas criaturas, distintas de seus homólogos norte-americanos de cauda nua (gambás), alimentam-se de néctar, pólen e insetos. Os possums australianos, incluindo o pigmeu-pequeno, são caracterizados por seus corpos mais arredondados, características mais suaves e caudas peludas, habitando a Austrália, Nova Zelândia e China. Historicamente, o possum pigmeu-pequeno era conhecido por existir apenas na Tasmânia, em partes de Victoria e no sul da Austrália, e na Ilha Kangaroo. No entanto, essa compreensão pode estar prestes a uma revisão significativa.

As intrigantes descobertas, recentemente detalhadas na revista Australian Zoologist, propõem que uma população de possums pigmeus-pequenos também poderia estar residindo no Parque Nacional Dhilba Guuranda–Innes, na Península de Yorke, no sul da Austrália. Este local é geograficamente isolado, situado a mais de 120 milhas — e através do Golfo de St. Vincent — da população conhecida mais próxima na Ilha Kangaroo. A conclusão é baseada em um minucioso reexame de várias fotografias capturadas por armadilhas fotográficas dentro da área protegida entre 2004 e 2011. Embora as câmeras tenham avistado predominantemente o possum pigmeu-ocidental (Cercartetus concinnus), estreitamente relacionado, dois animais particulares fotografados em dezembro de 2006 apresentaram uma diferença impressionante. Em vez da pelagem ventral branca característica dos possums pigmeus-ocidentais, esses indivíduos exibiam a pelagem ventral cinza que é uma marca registrada do possum pigmeu-pequeno.

A Dra. Sophie (Topa) Petit, coautora do estudo e ecologista da Universidade de Adelaide, destacou a importância dessa observação em uma declaração recente. “Não há registro de museu ou outro registro de possums pigmeus-pequenos para a Península de Yorke”, afirmou a Dra. Petit. Ela elaborou ainda sobre a supervisão inicial: “Embora os animais parecessem ligeiramente diferentes dos possums pigmeus-ocidentais, eles foram rotulados como juvenis, porque ninguém na equipe esperava descobrir uma nova espécie de mamífero para a Península de Yorke.” Esta anedota serve como um poderoso lembrete de como os paradigmas e expectativas existentes podem, por vezes, levar a interpretações errôneas de dados de campo críticos, tornando uma reavaliação rigorosa inestimável na descoberta científica.

A presença do mamífero nunca foi confirmada na Península de Yorke, nem foram encontrados quaisquer restos fossilizados. Se novas pesquisas na área verificarem essa evidência fotográfica, a população da Península de Yorke representaria um grupo previamente desconhecido, potencialmente isolado por milhares de anos desde que o aumento do nível do mar separou a Ilha Kangaroo do continente. Tal isolamento ofereceria insights inestimáveis sobre os processos evolutivos e a resiliência das espécies em paisagens fragmentadas.

Crucialmente, esta potencial descoberta ganha maior significado dada a grave perda de vegetação nativa na Península de Yorke. Apenas cerca de 13% do habitat original da península permanece, com mais da metade concentrada na ponta sul, dentro do Parque Nacional Dhilba Guuranda–Innes. Essa degradação ecológica amplifica a urgência de qualquer nova descoberta de espécies, particularmente para aquelas que podem estar criticamente ameaçadas.

“Esta área é um refúgio importante para o que resta da fauna nativa da região”, enfatizou a Dra. Petit. “Se o possum pigmeu-pequeno ainda estiver lá, ele precisa de atenção urgente.” A possibilidade de que a península abrigue este mamífero elusivo também traz à tona preocupações sobre os impactos da fragmentação contínua do habitat e da prática frequente de queimadas prescritas. Embora as queimadas prescritas visem prevenir incêndios florestais catastróficos e restaurar práticas culturais indígenas, sua aplicação repetida na área desde que os possums foram fotografados levanta questões sobre seus potenciais efeitos em espécies crípticas vulneráveis.

Essas práticas de manejo da terra exigem um delicado equilíbrio entre a mitigação do risco de incêndio e a conservação da biodiversidade. A Dra. Petit expressou uma preocupação sóbria: “É possível que essa população tenha sido extinta nos últimos 20 anos, considerando sua raridade. Mas seria maravilhoso descobrir que ela sobreviveu.” Ela defendeu uma abordagem proativa: “Adotar uma abordagem de precaução para o manejo da terra até que o status da espécie seja verificado seria o melhor curso de ação.” Isso sublinha a necessidade imediata de levantamentos de campo abrangentes para coletar dados definitivos e verificar o status atual dessa população potencial. A confirmação da presença do possum pigmeu-pequeno na Península de Yorke não apenas enriqueceria os registros de biodiversidade da Austrália, mas também forneceria um novo ímpeto para os esforços de conservação neste vital corredor ecológico.

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