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Diretrizes de Concessão para Bibliotecas e Museus Tomam Rumo Político "Assustador" sob a Administração Trump, Despertando Preocupação Generalizada
O Instituto de Serviços de Museus e Bibliotecas (IMLS), uma agência federal vital que fornece financiamento crucial a instituições culturais nos Estados Unidos, está passando por uma transformação significativa e controversa sob a influência da administração Trump. Novas diretrizes de concessão, que solicitam abertamente projetos alinhados com a visão do ex-presidente Donald Trump para a América, geraram alarme generalizado entre líderes culturais, historiadores e ex-funcionários da agência. Críticos afirmam que essa mudança ideológica coloca em risco a natureza apartidária de longa data do apoio federal a bibliotecas e museus, potencialmente levando a uma visão restrita ou distorcida da história e cultura americanas.
Estabelecido em 1996, o IMLS historicamente serviu como a única fonte dedicada de apoio federal para bibliotecas e um dos principais financiadores federais de museus e arquivos. Seus programas de concessão de longa duração se concentraram em fomentar o envolvimento da comunidade, garantir o acesso público à informação e fortalecer a capacidade das instituições de preservar coleções e se preparar para desafios imprevistos. As diretrizes anteriores eram caracterizadas por sua postura apolítica, priorizando o mérito, a excelência programática e o alinhamento com os padrões profissionais do setor cultural.
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No entanto, o ciclo de inscrição para 2026 marca um desvio acentuado. Cartas de apresentação que acompanham as solicitações de concessão agora afirmam explicitamente que o instituto "acolhe com particular agrado" projetos que ressoam com a visão de Trump. Isso inclui iniciativas projetadas para cultivar uma apreciação pelo país "através de narrativas edificantes e positivas". A agência cita várias ordens executivas, notavelmente uma que criticou a Smithsonian Institution por sua "ideologia divisiva e centrada na raça" – uma referência às observações anteriores de Trump de que o museu se concentrava "demais em quão ruim era a escravidão". Além disso, as diretrizes fazem referência a uma ordem executiva pedindo o fim da "armação anticristã do governo" e a outra intitulada "Tornando a Arquitetura Federal Bonita Novamente".
Essa medida sem precedentes provocou fortes reações. Ex-líderes do IMLS de administrações republicanas e democratas, juntamente com representantes de proeminentes associações de bibliotecas, história e museus, expressaram profundas preocupações. Eles temem que critérios tão politicamente carregados possam forçar as instituições a apresentar uma versão higienizada, limitada ou até mesmo distorcida da história americana. Há também a apreensão de que aceitar essas concessões possa expor as instituições a um maior escrutínio e controle administrativo, ecoando a extensa auditoria da administração Trump das exposições da Smithsonian para "avaliar o tom, o enquadramento histórico e o alinhamento com os ideais americanos".
Giovanna Urist, que atuou como oficial sênior de programas no IMLS de 2021 a 2023, descreveu as novas diretrizes como "assustadoras". Ela articulou: "Acho que só precisamos olhar para o que está acontecendo com a Smithsonian para saber que a administração tem um objetivo muito específico em mente quando se trata de controlar a voz de organizações e museus em todo o país."
Em resposta a perguntas da ProPublica, um porta-voz do IMLS indicou que não é incomum para o instituto emitir cartas de diretores com solicitações de concessão, afirmando que a carta atual simplesmente informa os candidatos "sobre as ênfases temáticas desta Administração no ano do semicentenário". O porta-voz, no entanto, recusou-se a abordar as críticas relativas à inserção de temas políticos em um programa historicamente apartidário. A declaração afirmou ainda: "Sob a liderança do Presidente Trump, o IMLS está trabalhando para revitalizar nossas instituições culturais, instando candidatos menos tradicionais a considerar trabalhar conosco e a promover o orgulho cívico e um profundo senso de pertencimento entre todos os americanos." Eles acrescentaram que todas as instituições qualificadas receberiam a devida consideração e revisão por pares.
A atual mudança de política segue um período turbulento para o IMLS sob a administração Trump. Em março passado, Trump tentou desmantelar a agência por meio de uma ordem executiva e demitiu sua diretora, Cyndee Landrum, uma profissional de biblioteconomia de carreira. Essa ação provocou uma ação judicial de procuradores-gerais de 21 estados e da American Library Association, que conseguiu deter os esforços de dissolução no tribunal. Subsequentemente, a administração nomeou o subsecretário do Trabalho Keith E. Sonderling como diretor interino, apesar de sua aparente falta de experiência profissional anterior em museus ou bibliotecas. Sonderling, em sua nomeação, prometeu "revitalizar o IMLS e restaurar o foco no patriotismo, garantindo que preservemos os valores centrais de nosso país, promovamos o excepcionalismo americano e cultivemos o amor pelo país nas gerações futuras." Em dez dias, ele colocou quase todos os 75 funcionários da agência em licença administrativa, demitiu o conselho e revogou várias concessões anteriormente concedidas. Essas concessões foram posteriormente restabelecidas por ordem judicial em dezembro.
As implicações mais amplas dessas mudanças são significativas. Diretores que lideraram o IMLS sob administrações anteriores, incluindo a de Barack Obama, enfatizaram que, embora as prioridades pudessem mudar com uma nova liderança, essas mudanças sempre foram implementadas com ampla contribuição do campo, não por meio de diretrizes para se alinhar com a visão de mundo específica de um presidente. As novas diretrizes, portanto, sinalizam uma clara preferência administrativa por narrativas particulares, comprometendo potencialmente a integridade e a independência das instituições culturais.
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Mesmo Crosby Kemper III, um republicano conservador de longa data nomeado por Trump para liderar o IMLS em 2019, expressou forte desaprovação. Embora reconhecendo suas próprias inclinações conservadoras e a crença de que o campo poderia precisar de uma correção de curso do que ele percebia como um viés de esquerda, Kemper condenou inequivocamente a abordagem da administração atual. Ele descartou as ordens executivas de Trump como "bobagens" e as diretrizes de concessão como "horríveis", afirmando: "É claro que a administração quer uma história branqueada, se me permitem a expressão. E isso está errado." Esses testemunhos coletivos sublinham que essas mudanças não representam apenas uma mudança nas prioridades, mas uma mudança ideológica que pode ameaçar a missão essencial de preservar e interpretar a cultura sem preconceitos.