Ekhbary
Friday, 13 February 2026
Breaking

Psiquiatra de Harvard Desafia Afirmações de RFK Jr. sobre a 'Cura' da Esquizofrenia com Dieta Keto

Dr. Christopher M. Palmer esclarece sua pesquisa, enfatizand

Psiquiatra de Harvard Desafia Afirmações de RFK Jr. sobre a 'Cura' da Esquizofrenia com Dieta Keto
Matrix Bot
3 days ago
7

Global - Agência de Notícias Ekhbary

Psiquiatra de Harvard Desafia Afirmações de RFK Jr. sobre a 'Cura' da Esquizofrenia com Dieta Keto

Um psiquiatra líder de Harvard, Dr. Christopher M. Palmer, contestou publicamente as afirmações feitas pelo Secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., que recentemente alegou que a dieta cetogênica poderia “curar” a esquizofrenia. O Dr. Palmer, cujo trabalho pioneiro explora as intrincadas conexões entre dieta e saúde mental, esclareceu na sexta-feira que, embora a dieta rica em gordura e baixa em carboidratos mostre resultados promissores em certos casos, ela não oferece uma cura definitiva para o complexo transtorno psiquiátrico, uma distinção que ele mantém rigorosamente.

As observações de Kennedy, proferidas no Capitólio do Estado do Tennessee, sugeriram um avanço definitivo, afirmando: “agora sabemos que as coisas que você come estão impulsionando as doenças mentais neste país”, e creditando a um médico de Harvard a “cura da esquizofrenia usando dietas cetogênicas”. Essas declarações rapidamente atraíram a atenção, particularmente dada a proeminente plataforma pública de Kennedy e seu movimento “Make America Healthy Again”, que defende abordagens alternativas de saúde.

O Dr. Palmer, que teria se encontrado com o Sr. Kennedy pouco antes das eleições de 2024 e foi candidato à direção do Instituto Nacional de Saúde Mental, abordou as acusações diretamente. “Não é preciso”, declarou o Dr. Palmer em uma entrevista. “Embora eu aprecie o entusiasmo do Secretário Kennedy pelo meu trabalho, nunca afirmei ter curado a esquizofrenia ou qualquer outro transtorno mental, e certamente nunca uso a palavra 'cura' em meu trabalho.” Ele elaborou ainda, enfatizando que sua pesquisa se concentra no “tratamento” e na documentação de “uma resposta robusta para alguns indivíduos ao ponto de remissão dos sintomas”. Essa posição matizada sublinha a abordagem cautelosa da comunidade científica a condições complexas como a esquizofrenia, onde a remissão significa uma melhora significativa nos sintomas, mas não necessariamente uma erradicação completa da condição subjacente ou uma garantia contra recaídas.

A dieta cetogênica, tradicionalmente conhecida por sua eficácia no gerenciamento da epilepsia e na promoção da perda de peso, envolve uma redução drástica na ingestão de carboidratos, forçando o corpo a queimar gordura para obter energia. Embora o Dr. Palmer reconheça seus benefícios estabelecidos na epilepsia e seu potencial na saúde mental, ele também aponta seus riscos associados, particularmente para a saúde cardiovascular, e os desafios logísticos de uma adesão a longo prazo, especialmente para indivíduos com doenças mentais graves.

A jornada do Dr. Palmer neste campo começou com um paciente que sofria de transtorno esquizoafetivo, para quem ele inicialmente prescreveu a dieta cetogênica sob estrita supervisão médica, principalmente para o controle de peso. Para sua surpresa, o paciente, enquanto continuava com a medicação, relatou uma redução espontânea das alucinações e delírios após aproximadamente dois meses. Esse sucesso anedótico levou a uma investigação mais aprofundada, culminando em uma publicação de 2019 detalhando dois pacientes com esquizofrenia que alcançaram “remissão completa dos sintomas” com a dieta cetogênica, permitindo-lhes interromper os medicamentos antipsicóticos. Mais recentemente, ele e seus colegas descreveram a dieta como uma “abordagem terapêutica promissora para a esquizofrenia”, escolhendo cuidadosamente uma linguagem que reflete o potencial em vez da certeza.

Apesar do otimismo cauteloso do Dr. Palmer e do crescente interesse dos pacientes, o estabelecimento psiquiátrico mais amplo permanece significativamente mais reservado. Psiquiatras tradicionais alertam que as evidências que apoiam a terapia cetogênica para transtornos de saúde mental são em grande parte anedóticas, baseadas em estudos de caso e pequenos ensaios piloto, em vez de estudos controlados randomizados em larga escala, considerados o padrão ouro na pesquisa médica. Um próximo documento de política de 2025 da Associação Americana de Psiquiatria (APA) sublinha esse ceticismo, observando que o tratamento de sintomas psiquiátricos com uma dieta cetogênica “permanece controverso e carece de pesquisa robusta, consistente e baseada em evidências para justificar sua implementação na prática rotineira”. A APA também aponta os consideráveis desafios práticos que os pacientes enfrentam para aderir estritamente a uma dieta tão restritiva.

O Dr. Paul S. Appelbaum, distinto professor de psiquiatria da Universidade de Columbia e ex-presidente da APA, ecoou essas preocupações, caracterizando as evidências existentes como “muito, muito preliminares”. Ele defende fortemente estudos comparativos rigorosos, onde pacientes com e sem dieta sejam acompanhados por períodos prolongados (seis a doze meses) e avaliados por avaliadores independentes que não conheçam o protocolo de tratamento. “Até então, é simplesmente enganoso sugerir que sabemos que as dietas cetogênicas podem melhorar os sintomas da esquizofrenia, muito menos que podem curar a condição”, afirmou o Dr. Appelbaum, reforçando o apelo da comunidade científica à prudência e a uma investigação aprofundada.

A disparidade entre o intenso entusiasmo dos pacientes, muitos dos quais estão desesperados por novas vias de tratamento, e a cautela medida da comunidade científica, cria um cenário desafiador. O Dr. Palmer mesmo reconhece o custo emocional, afirmando: “Esta tem sido minha jornada dolorosa nos últimos anos, porque literalmente milhares de pessoas me procuram implorando por este tratamento, e a realidade é que não há” vias clínicas facilmente disponíveis e amplamente aceitas. Embora ele vislumbre um futuro em que “intervenções dietéticas” possam se tornar um tratamento de primeira linha para transtornos psicóticos, ele aconselha firmemente os pacientes a não interromperem os medicamentos antipsicóticos ou tentarem a dieta sem supervisão médica rigorosa e profissional, enfatizando a segurança e a prática baseada em evidências acima de tudo.

Palavras-chave: # dieta cetogênica # esquizofrenia # saúde mental # Robert F. Kennedy Jr. # Christopher M. Palmer # psiquiatra Harvard # tratamento psiquiátrico # intervenção dietética # doença mental # remissão de sintomas